Há precisamente 40 anos, no dia 1 de janeiro de 1986, Portugal assumia a plenitude do estatuto de Estado-membro das então Comunidades Europeias, hoje União Europeia.
Essa data marcou o início de um ciclo de transformação e reformismo sem precedentes na história contemporânea do nosso país.
Ora, quarenta anos depois, voltamos a ter justificadas razões para encarar o futuro com esperança e confiança, vivendo um renovado ciclo de transformação e reformismo que se vai traduzir em prosperidade para os portugueses.
Prosperidade significa mais igualdade de oportunidades e espírito de solidariedade que não deixa ninguém para trás.
Prosperidade significa capacidade de retenção e atração de talento, futuro para os jovens e tranquilidade para os seus pais e avós.
Prosperidade significa uma sociedade com mais produtividade, mais competitiva e geradora de mais riqueza.
Riqueza que garante o Estado social, a justiça e a equidade.
Nesta viragem de ano, muitos podiam esperar a rotina política do costume, com discursos legítimos e democráticos, mas repetitivos e redondos.
Pelo meu lado, escolho dar primazia, substância e conteúdo político à atitude. À postura. À ambição e ao sentido de responsabilidade. Ao espírito de unidade patriótica que está acima das diferenças, que convive com as diferenças e que sobrevive e resiste às diferenças.
Entendo que estamos num momento decisivo para fazermos uma escolha cujos efeitos se podem fazer sentir por muitos anos. Não é entre direita e esquerda ou entre moderado e radical.
É a escolha entre continuar a fazer o suficiente ou ambicionar atingir o excelente.
É a escolha entre jogar para não descer de divisão ou jogar para entrar e ficar na Liga dos Campeões.
Por isso falo da mentalidade positiva e construtiva de quem "entra em campo para ganhar e não para empatar".
Por isso falo da mentalidade "Cristiano Ronaldo".
A mentalidade de quem assume o talento, o potencial, mas não fica a "dormir à sombra da bananeira". Trabalha em cima disso para ser melhor, para produzir mais, para superar a concorrência, para atingir melhores resultados.
A mentalidade que tem espírito de trabalho, de incentivar a equipa, de dar o exemplo, de defender o país e mostrar que somos tão bons ou melhores do que os outros.
A mentalidade da solidariedade, que não esquece as raízes donde vimos, a família, a comunidade que somos e que puxa por todos.
A mentalidade de quem se concentra sempre no essencial e se foca no objetivo, deixando aos fracos o entretenimento do acessório.
Os fracos são precisamente aqueles que não são capazes de se focar no essencial. Temos de os respeitar, mas sabemos que vão envelhecer a eternizar teorias sobre pequenos pormenores, questiúnculas, intrigas e especulações que são o seu ganha-pão.
A grande maioria dos portugueses não é assim. É gente forte, com um potencial enorme que cabe ao Governo exponenciar.
Não tenho nenhuma dúvida, o nosso futuro depende de nós.
E nós dependemos da capacidade de nos focarmos no essencial.
E o essencial é que somos hoje um país especialmente competitivo; um país com dinâmica económica reconhecida a nível internacional, como fizeram recentemente a "The Economist" e o "Financial Times"; um país que é referência de estabilidade financeira; um país com estabilidade política; um país com recursos humanos qualificados; um país com apetência para as novas tecnologias; um país com uma crescente autonomia energética; um país empenhado em simplificar, desburocratizar e digitalizar; um país onde os impostos descem e os rendimentos sobem; um país com uma localização geográfica estratégica e com respeitabilidade e intervenção geopolítica; um país seguro; entre tantos outros fatores que nos distinguem e notabilizam como uma nação a ter em conta, seja para investir, seja para ter como parceiro.
O meu desejo para 2026 é, ainda assim, mais do que ser atrativo. É um objetivo, uma ambição e um desígnio pelo qual me baterei sem descanso: incutir uma nova mentalidade que nos lance para um ciclo de crescimento e prosperidade que são os alicerces da justiça social, do combate à pobreza e do bem-estar de cada português: pôr os portugueses a acreditar mais em Portugal, mais em si próprios e a perceber que, se trabalharmos mais em cima disso, vamos ser mais produtivos e eficientes.
Em 2025, consolidámos as condições de governabilidade e de estabilidade política. Com a realização das eleições presidenciais nas próximas semanas, encerramos um ciclo eleitoral prolongado e abrimos um horizonte sem eleições nacionais até 2029.
É uma oportunidade e uma responsabilidade que todos nós, enquanto nação, não podemos desperdiçar.
Nos últimos vinte meses, depois de os portugueses nos escolherem duas vezes para governar, propusemos a nossa visão para o país e começámos a executá-la. Os próximos anos serão para concretizar esse programa de reforma e de transformação de Portugal.
A Agenda Transformadora está em movimento. A nossa economia cresce consistentemente acima da média dos países da Zona Euro e da União Europeia. E esse crescimento está a refletir-se no rendimento das famílias. Mais rendimento e menos impostos sobre as pessoas e as empresas, o que só é sustentável com mais produtividade e mais criação de valor.
Mas queremos mais. Queremos muito mais, com a mentalidade vencedora de que vos tenho vindo a falar.
E para isso continuaremos a promover um crescimento económico virtuoso, que gera mais riqueza, cria mais emprego, capta melhor investimento estrangeiro e reforça a nossa projeção internacional.
Esse caminho passa por decisões corajosas na fiscalidade, no combate à burocracia e na flexibilidade laboral.
Um país mais competitivo e produtivo gera mais e melhor emprego, garante melhores salários e coloca-nos, tal como em 2024, na vanguarda da valorização do rendimento dos trabalhadores na OCDE.
Mais uma vez, não há que ter medo. Menos impostos, mais simplificação de processos e mais flexibilidade laboral são pressupostos para melhores empregos e melhores salários. São fundamentais para salários dignos!
Também aqui a mentalidade deve evoluir. A competitividade económica e o crescimento robusto e duradouro da economia são fundamentais para garantir o Estado social e o sucesso das políticas públicas.
Em 2026, continuaremos a trabalhar para que os nossos jovens fiquem em Portugal e os que emigraram regressem, e aqui realizem os seus projetos. Para que pensionistas e reformados vivam com mais desafogo e dignidade. Para que a classe média seja compensada pelos seus esforços. Para que os funcionários públicos se sintam valorizados e motivados nas suas carreiras de serviço aos portugueses.
Para que os constrangimentos acumulados de décadas em áreas vitais como a saúde comecem a ser finalmente resolvidos - com uma Lei de Bases da Saúde adaptada aos novos tempos, a valorização contínua do SNS e a construção de mais hospitais, como o Hospital de Todos os Santos, na Grande Lisboa, ou os hospitais centrais do Alentejo e do Algarve.
Para que os nossos filhos tenham a educação que merecem, começando por deixar de sentir a falta de professores. Para que o acesso a habitação deixe de ser um problema de muitos e passe a ser um verdadeiro direito de todos. Para continuarmos a reforçar o Portugal seguro e com imigração regulada, com humanismo, que a todos dignifica.
Para tudo isto, é preciso coragem, empenho e ambição. Que todos façam a sua parte, com responsabilidade e compromisso.
Sem medo de sonhar com o melhor, em vez de aceitar o suficiente.
Como escreveu o filósofo Agostinho da Silva, cujos 120 anos do nascimento assinalamos este ano, "se não apontares ao impossível te sairá baixo o tiro ao possível".
O caminho de Portugal só pode ser apontar alto para fazermos possível o que antes tinha aparência de impossível...
Com esta nova mentalidade, desejo a todos os portugueses um ótimo 2026!

