Na crise que ainda estamos a viver, sobressaiu a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, pelo modo decidido e sereno como "comandou as operações" das cheias na zona do Mondego e conseguiu transmitir a tranquilidade que as populações atingidas precisavam.
Foi duro em várias zonas do país, Leiria em particular, e os autarcas viram-se "entregues à calamidade" perante abandono do Governo, que só "tarde e a más horas" acordou para a tragédia.
Este comportamento da autarca coimbrã e de outros revela a importância do Poder Local na vida das populações e a necessidade de melhorar a capacidade das autarquias na resposta a estas e outras necessidades. Há quem insista na regionalização mas penso ser difícil ir nesse caminho, que defendemos há muitos anos mas precisa agora de outras condições para ser tratado a sério.
Circunstâncias que precisam de ser pensadas, a concentração populacional ativa e de poderes no centro (Terreiro do Paço), a desertificação do interior e o envelhecimento populacional, o enfraquecimento produtivo do território e o peso da emigração na vida ativa, a qualificação de jovens que "fogem" para o exterior, tudo isto precisa de novo pensamento sobre o Estado e a Administração Pública, que exige largo entendimento e pragmatismo da "classe política", principais partidos em particular, pois a sobrevivência da Democracia passa por aqui.
As circunstâncias em que foi eleito e a força depositada pelo povo no presidente AJ Seguro são uma boa prova disto, da nossa fragilidade social e organizativa, da necessidade de mudar a ligação dos serviços do Estado com os cidadãos, da oportunidade de discutir os valores da cidadania democrática enquanto é tempo.

