Metro do Porto: a luz ao fundo do túnel?
Nos últimos anos, nenhum outro fator terá contribuído tanto para a perda de mobilidade na cidade do Porto como as obras do metro. Só a Linha Rosa, cujo prazo inicial de conclusão apontava para o final de 2024, foi responsável por inúmeras alterações à circulação automóvel e pedonal no Centro Histórico, num constante abre e fecha das diferentes empreitadas.
Quase dois anos após o calendário inicial do projeto, a nova Administração da Metro do Porto veio trazer alguma luz ao fundo do túnel, antecipando que, "até ao São João", a cidade ficará livre de constrangimentos à superfície. Não era sem tempo! Quanto à operação de transporte propriamente dita, as explicações ficaram remetidas para a próxima semana, ficando no ar a ideia de que, uma vez mais, as últimas datas anunciadas - neste caso, o primeiro trimestre deste ano - estão totalmente comprometidas. Ou seja, composições na Linha Rosa só lá para o final de 2026.
Já na Boavista, foi mesmo apresentado um prazo definitivo para o arranque do malfadado metrobus. O final de fevereiro marca a hora da primeira ligação entre a Casa da Música e a Praça do Império, anunciando-se também uma oportuna gratuitidade no mês inicial de funcionamento, que pode contribuir para fidelizar utilizadores e quebrar as resistências que esta solução de transporte despertou desde o início.
Assumindo que este compromisso será respeitado, a Metro do Porto não terá uma segunda oportunidade para criar boa impressão. Ou o metrobus funciona bem à primeira - e isso significa, na prática, ter uma boa frequência de passagem e ser pontual - ou o serviço não vai gerar confiança na população e tenderá a ser subutilizado. Esperemos pelos primeiros dias de operação, para tirar a prova dos nove.
A realidade é que a empresa tem um longo caminho a percorrer para restaurar a má imagem construída nos últimos anos. Os portuenses - quer os residentes, quer os que trabalham na cidade - olham para os anúncios, os prazos e os projetos com justificado ceticismo, à espera do primeiro imprevisto que não foi acautelado ou da próxima rua fechada ao trânsito. No arranque de um novo ano, fica a expectativa de que os erros não se repitam e que quer as obras que estão em curso, quer os futuros projetos da Metro contribuam para restituir a sua credibilidade e responder às necessidades da população.

