É curiosa a incapacidade de gestão que levou Portugal a ter de pedir ajuda externa. Aparentemente os portugueses desenvolveram um conjunto de hábitos que os levaram a consumir mais do que produzem, numa postura de dependência não consentânea com os muitos séculos de independência política. Sem a lucidez e a coragem suficientes para mudar de atitude.
A troika elaborou um pacote de medidas de emergência que vai ser necessário aplicar para resolver a crise em que nos metemos, mas, em minha opinião, não bastará. Para além de ser imperioso aplicar apropriadamente essas medidas, também é necessária uma mudança de atitude dos portugueses: governantes e governados.
É necessário um maior nível de responsabilidade individual e coletiva, procurando tomar a iniciativa para fazer acontecer as coisas bem. É necessária uma maior aposta no esforço individual, na formação, na investigação, na criatividade, na inovação. Portugal precisa de produzir mais produtos e serviços de qualidade, que sejam competitivos no contexto internacional.
Mas também é precisa contenção individual e coletiva para não gastarmos acima das nossas possibilidades. E, ainda, esperarmos e exigirmos menos do Estado, procurando - individual e coletivamente - encontrar oportunidades, trabalho, soluções, sucesso, sem regatear esforços.
Só com essa mudança de atitude virá a lucidez suficiente para desenhar um plano estratégico para o país, definindo onde queremos estar daqui a dez ou quinze anos. Por exemplo, optando por colocar como objetivo estar na metade superior da União Europeia, será necessário selecionar alguns indicadores de várias áreas chave - como a Educação, a Ciência, a Economia, a Saúde e a Justiça - e definir um plano de atividades e algumas metas intermédias para lá chegar. Mas só com uma clara mudança de atitude.
