Depois de Sérgio Conceição, foi a vez de Jorge Jesus apanhar 15 dias de castigo, por infração cometida há sete... meses - no caso do treinador do F. C. Porto a sentença, também por críticas à arbitragem, demorou uns incríveis 10 meses!
Resultado: entre os jogos que ambos vão falhar - indeferidas as providências cautelares pelo Tribunal Administrativo Central do Sul, o recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto deixa de ter efeito suspensivo - está um F. C. Porto-Benfica para os oitavos da Taça de Portugal. Que sentido faz termos um clássico do futebol português, e europeu, sem os dois treinadores principais? Para mim, nenhum.
Sérgio Conceição e Jorge Jesus foram punidos por expressarem publicamente desagrado com determinadas arbitragens. Muitas vezes a quente - são obrigados a ir às entrevistas rápidas no fim dos jogos, sob pena de serem multados - e muitas vezes com inteira razão, face àquilo que todos vimos os árbitros fazerem em campo. Por isso, deixo uma sugestão à Liga e aos clubes.
Agora que vão rever os regulamentos, para que não se repita a vergonha do recente B-SAD-Benfica, talvez seja a altura se reverem também as penas aplicadas por delito de opinião. A treinadores e futebolistas. Privar as equipas dos homens que lhes dão corpo e alma deixou de fazer sentido numa atividade altamente profissional e que envolve centenas de milhões de euros - até os árbitros já deixaram de ser os parentes pobres do futebol.
Se querem continuar a punir os treinadores e os jogadores pelas alegadas "ofensas ao bom nome e à honra", feitas após o fim dos jogos, em defesa da indústria futebol seria melhor fazerem-no indo-lhes ao bolso. Apliquem-lhes multas mais pesadas - e ofereçam esse dinheiro a instituições de solidariedade social -, mas deixem-nos ir a jogo, pois são eles as estrelas maiores deste desporto. E, já agora, talvez assim se acabe com os processos que demoram uma eternidade a ser decididos. É só uma ideia...
*Editor-adjunto
