Gosto de frango assado, mas não gosto de açorda. Nem de chuva no quase verão. Já não ligo à primavera. Mesmo que não houvesse alergias, as chamadas estão caras e em casa tenho pouca rede. Pelo menos tenho Internet. Agora é tudo viral. A normalidade é subestimada. A rotina é vilipendiada. Tem de ser tudo top. Tudo extraordinário. Tudo mega. Vivemos em constante hipérbole. Deve ser vírus, pandemia, é preciso apanhar ar. Máscaras é que não. Já passou o Carnaval. Agora é tempo de martelo, alho-porro e sardinhas. Não gostava, agora gosto. Também se aprende a gostar. Primeiro estranha-se, depois vê-se a Rua Sésamo, com o Poupas e a Guiomar. Agora está mais velha, faz novelas. E o cérebro descansa. Valha-nos a inteligência artificial. Não é tanga, é Tang. O de laranja nem é mau. O pior é a chuva. Faz-me musgo no cérebro.
Jornalista
