Bem-vindos ao mundo de uma família que se esforça diariamente por ter uma alimentação saudável. Tenho uma boa e uma má notícia para dar.
Começando pela menos boa: ao adotar um estilo de vida saudável, com especial cuidado com a alimentação, ao fim de muito pouco tempo é normal começar a ouvir os seus filhos dizerem "não há nada para comer em casa".
Para conseguir resistir a esta frase, é preciso ter em conta que "não há nada para comer" quer dizer que não há nada para desempacotar, comer no imediato, e deixar de ter fome nos dois minutos seguintes.
Sendo que a alimentação tem duas funções principais, a nutritiva e a social e, uma vez que o nosso primeiro ambiente social é a família, onde nascemos e crescemos, é exatamente por aí que devemos começar a incutir hábitos de vida e alimentação saudável.
Ao nível da nutrição, é do conhecimento público que os principais erros que cometemos na nossa alimentação prendem-se com o excesso de sal, açúcar e gordura. O grande problema está em como ultrapassá-lo. Como cortar com os alimentos que nos fazem manifestamente mal, quando vivemos num ambiente em que a oferta assenta sobretudo em produtos processados carregados de aditivos para terem melhor sabor e durarem mais tempo?
Aproveito para destacar algumas das medidas apresentadas nos quatro eixos estratégicos para a promoção da alimentação saudável que considero serem fundamentais para uma verdadeira mudança nos nossos hábitos alimentares:
Os olhos também comem, e no que se refere ao sal, açúcar e gordura (ácidos gordos trans) mais importante do que referir quais as quantidades recomendadas para o consumo diário destes alimentos é importante transformar essa informação em suporte visual. Saber por exemplo se 5 gramas de sal correspondem a uma colher de café ou chá é uma excelente ajuda quando chega a hora de cozinhar.
Na área do turismo e restauração é importante haver formação e incentivos para que estes espaços comerciais passem a ter uma ou mais opções de ementa saudável e soluções adaptadas às patologias mais prevalentes na população portuguesa.
Quanto às compras públicas de produtos alimentares, e sobretudo nas escolas e nas instituições de saúde, é fundamental que estas passem a controlar e a conhecer os alimentos, o que compram e o que disponibilizam aos seus públicos, crianças e doentes.
Na hora de ir às compras, mas agora para a casa, é importante pôr os olhos nos rótulos. Incentivar a utilização de informação nutricional adicional, de fácil leitura e interpretação, nos rótulos dos produtos alimentares é uma excelente ajuda para que os cidadãos façam escolhas alimentares acertadas.
Relativamente ao Eixo 4, o último do plano estratégico, destinado a incentivar a inovação e o empreendedorismo direcionado à área da promoção da alimentação saudável e constatando a massiva informação e oferta literária existente em torno da alimentação saudável, acredito existir um número elevado de profissionais, com formação em diferentes áreas complementares, com disponibilidade para contribuir para um bem comum, o da promoção da alimentação saudável, uma vez que já o fazem de forma individual, pontual e cirúrgica. Através de uma ação articulada com uma entidade de âmbito nacional como a DGS, é possível estas ações ganharem outra dimensão, passando a chegar a diferentes populações, como as com baixos níveis de rendimento e literacia.
Terminando por onde comecei, a boa notícia é: quando ouvir os seus filhos dizerem "não há nada para comer" isso significa que já ganhou algum terreno na oferta saudável, ao diminuir a olhos vistos os produtos processados que tem em casa.
EMB. EST. INTERM. PROM. ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
