O fim-de-semana prometia consolo e amenidades ao PS do dr. Costa. A Convenção, no Coliseu de Lisboa, começava com um refrigério anunciado à última hora. António Capucho - uma rodilha política sem préstimo actual nem "pensamento" que o recomende, sequer, para guionista de talk shows de tardes de Júlias e Cristinas - abrilhantou a sala enquanto parte dela adequadamente debandava. Afirmaria, depois, a um jornal que "se o PS o convidar para altos voos" não dirá que não.
Isto tem um nome conhecido na praça. Depois, a Convenção exibiu o "melhor" PS de sempre, ou seja, o PS de sempre com a devida rasura de Seguro, dos seus e dos anos em que dirigiu a agremiação. O precursor do evento era Sócrates, os seus e os "anos de oiro" que deu ao partido. Sem a maçada de o ter de ter ali ou de precisar ser nomeado. Até Assis, esse perigoso social-democrata, regressou ao redil. Apenas uma senhora reformada, de cabelo pintado, discutiu a TSU e Costa agradeceu-lhe o voto (um voto) contra na Convenção como exemplo da notável abolição do "pensamento único" no PS. O resto consistiu em explicar, em grupinhos, a solo ou com a ajuda da dedicada jornalista Anabela Neves, o "programa eleitoral" em prol de um "Estado forte, moderno e inteligente" a lembrar o doutrinador Oliveira Salazar que defendia sensivelmente o mesmo: um Estado tão forte que não necessitasse ser violento.
Aí pelo final da tarde de domingo, Costa entregou às hostes e às solícitas televisões o seu longo "monólogo do vaqueiro". Ia nisto quando, nos rodapés, apareceu Sócrates por interposto Ministério Público que o queria remover de Évora para casa. João Lisboeta Araújo surgiu à porta do estabelecimento prisional eborense para a confirmação. A Convenção terminava, assim, ingloriamente na Rua das Portas de Santo Antão com os jornalistas, de microfone alçado, a quererem saber de Sócrates por Costa e a não quererem saber do "programa" para nada. É verdade que a Neves fez de tudo para manter a chama viva mas a coisa já tinha partido para destino incerto. Costa percebeu e apressou-se, num fórum da TSF, a garantir que o PS "não fazia acusação nem defesa" a, e de, ninguém, repetindo o cliché da separação da justiça da política. Mas ia tarde. Sócrates já marcara a semana política com uma declaração tão solitária quanto corajosa. Pelo, cito-o, «respeito que devo a mim próprio e com o respeito que devo aos cargos públicos que exerci.»
