Nas tragédias o Estado não pode falhar
O Estado continua a ser mau na prevenção e parco na generosidade. Se os cidadãos dão muito ao Estado através dos seus impostos, é natural que também recebam, sobretudo quando ficam totalmente desamparados. O Estado não pode ser só uma entidade abstrata. Tem a obrigação de ser a mão que apoia e a voz que conforta, sobretudo quando a tragédia coletiva bate à porta.
O Estado, representado pelo Governo de turno, falhou em toda a linha. Falhou quando lançou um Alerta Vermelho para a tempestade Kristin e depois não deu orientações para cidadãos, indústrias e comércios protegerem os seus bens e as suas vidas, o que ajudaria a minimizar os estragos.
Depois da tempestade ter deixado um rasto de devastação, ouviam-se muitas pessoas desesperadas a dizerem que se sentiam abandonadas e impotentes, sem água, nem comida, nem energia. Os militares, as forças de segurança, os membros do governo e da administração não estiveram logo no terreno quando eram mais precisos. As pessoas estiveram sozinhas a reconstruir o que o vento e chuva destruíram. Algumas morreram a reparar os telhados das suas casas.
Faltou liderança e comando e assistimos a uma atuação risível de alguns ministros: Leitão Amaro, enfiado no gabinete armado em operacional, Maria Lúcia Amaral, desorientada, Nuno Melo, patético e Castro Almeida, insensível.
Um governo de confiança estaria sempre no terreno antes da tempestade e mandaria todos os meios humanos e materiais que tivesse para que as pessoas se sentissem protegidas. Montenegro, que é tão forte em perceções, foi incapaz de prevenir a dimensão da catástrofe.
Disponibilizaria comida, água, conforto, meios materiais e apoios financeiros imediatos para ajudar a enfrentar as dificuldades. Ajudava na reconstrução das perdas e não hesitaria nos apoios a fundo perdido, para permitir uma rápida recuperação da atividade das pequenas e médias indústrias e comércios para não correrem o risco de fechar definitivamente.
Mas nada disso aconteceu. O Governo foi muito mau na prevenção, demorou demasiado tempo a reagir, foi muito curto nos apoios e deixou que o sentimento de abandono alastrasse. Felizmente que o povo, os autarcas, os bombeiros, os emigrantes se organizaram e foram inexcedíveis nos esforços, ajudando em tudo o que podiam.
Uma palavra para os muitos emigrantes, que vieram à pressa para reparar os estragos. Mas, mais uma vez, ficaram de fora dos apoios decretados pelo Governo, tal como aquando dos incêndios de verão. A história repete-se e o Governo não aprende.

