Adeptos antigos como eu, tendem a ver o futebol com os mesmos olhos que o viam quando eram crianças. Um erro ingénuo, mas compreensível. Quando começamos a ver futebol as equipas eram uma extensão profissional e superlativa dos jogos que fazíamos na rua. A vitória dependia sempre do jeito de cada um, do entrosamento coletivo e da garra que trazíamos à disputa. Na nossa rua, ou no nosso estádio.
O futebol mudou imenso. Como se já não bastasse o poderio financeiro que o desporto atingiu por via da sua intensa globalização, temos que gramar com propaganda diária da comunicação que vive das tricas, possibilidades e especulações que o negócio do futebol potencia. Janeiro é uma loucura.
Aquilo que nos aconteceu nas últimas semanas assemelha-se a uma família, em casa, em ameno e divertido convívio, quando um bulldozer entra, desgovernado, pela sala adentro. Primeiro o treinador, depois o Alberto, depois o outro treinador, depois o Elvas, depois outro ainda e agora o talentoso Manu e, provavelmente, o irrequieto Kaio de saída. Fomos abalroados, corrijo, por um esquadrão de bulldozers que atacou as fundações da época. É demais, foi demais. A família está nos escombros da surpresa, restando, para os sobreviventes, a esperança que as indemnizações da seguradora aliviem o pandemónio.
Como se isso não fosse castigo suficiente, vem o VAR, uma vez mais, neste jogo com o Arouca, fazer interpretações que nos escapam, e que são mais do domínio da filosofia esotérica que do rigor científico. É melhor começarmos a pensar que tudo vai correr mal... e esse falso desejo, bem vistas as coisas, até está a correr bem.

