O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, o maior da classe, pôs finalmente termo a uma greve iniciada há 13 meses na cadeia do Linhó, em Cascais, com a adesão dos seus cerca de 130 guardas. Foi a mais longa das greves da classe que, nos últimos 12 anos, recorreu mais de 200 vezes a esta forma de protesto. A do Linhó foi justificada por razões de segurança, pois, em 2024, haviam sido ali registadas 13 agressões de presos a guardas. Estes, considerando-se insuficientes, decidiram reivindicar que os (cerca de 250) reclusos inativos (não estudam nem trabalham, sendo que a cadeia não oferece trabalho a todos), em vez de quatro horas diárias fora das celas, tivessem direito apenas a duas, o mínimo legal.
Os serviços mínimos foram sendo ajustados, mas a greve impôs a cerca de 500 reclusos a redução do recreio a céu aberto para as tais duas horas e as visitas a uma hora semanal, vedou a entrada de roupa lavada na cadeia, limitou as idas ao médico a casos urgentes, proibiu a assistência religiosa, só autorizou a entrega de correio uma vez por semana, fechou a biblioteca e o ginásio, etc.
A greve terminou no domingo, graças a um acordo entre o sindicato presidido por Frederico Morais e, do outro lado, o diretor-geral de Reinserção e Serviços Prisionais, Orlando Carvalho, no qual a ministra da Justiça teve seguramente o seu papel. O acordo foi noticiado como uma vitória do sindicato e, segundo explicaram as partes, fez-se à custa de uma (!) medida: das quatro horas de recreio habituais, os reclusos inativos passam para duas horas e meia, de manhã ou à tarde, permanecendo as restantes 21 horas e meia do dia nas celas, onde também fazem as refeições.
A importância do recreio nos processos de reclusão e ressocialização tem sido tratada pela ciência e a literatura - até nas tenebrosas prisões da Sibéria no século XIX, descritas por Dostoiévski em "Cadernos da casa morta", os guardas compreendiam a importância, para a manutenção da ordem, de fechar tarde as portas das casernas onde dormiam os presos e de manter atividades recreativas como o teatro -, mas a Direção-Geral e o Ministério da Justiça, depois de removerem do Linhó a diretora contestada pelos guardas, claudicaram perante a retórica radical e retrógrada que tomou conta do sindicato, cujo presidente não escondeu que encara esta prisão como um teste, a pensar na expansão daquela medida a outras cadeias.
Se as partes entendem que 130 guardas não chegam no Linhó, é inaceitável que, ao fim de 13 meses que as deviam fazer corar de vergonha, a única solução que tenham para apresentar seja a perigosa colagem do regime geral ao disciplinar. É pouco para um sindicato com 43 anos história, pouco para uma Direção-Geral que em 2012 adicionou o termo "Reinserção" ao seu nome e pouco para uma ministra vinda da advocacia, mas é o ar, bafiento, do nosso tempo.

