O clássico e as sanções disciplinares dos apanha-bolas
Quem gosta de futebol ficou defraudado pelo pouco sumo no F. C. Porto-Sporting, um clássico mais animado pelas picardias no final do jogo e pelo folclore dos comunicados, à boa maneira dos piores capítulos do futebol português. Entre as queixas, há uma situação que salta à vista: as bolas terem sido colocadas atrás dos painéis publicitários quando a equipa de Francesco Farioli estava em vantagem no marcador, uma tática até reprovada por muitos adeptos portistas e que vai merecer a abertura de um inquérito disciplinar.
O que aconteceu no Dragão pode suceder em qualquer estádio do país, porque as estratégias tiradas dos livros de história são apanágio dos mais diversos clubes, por muito que alguns tentem passar uma ideia de moralidade e escapar ao escrutínio público. Infelizmente, isto acontece porque existe um problema de base que merece uma ampla reflexão nos gabinetes: as molduras penais são brandas perante certos acontecimentos.
De acordo com o regulamento disciplinar, o comportamento incorreto dos apanha-bolas merece uma sanção entre 500 e mil euros, um valor que pode dobrar caso se verifiquem reincidências, o que é muito pouco numa poderosa indústria movida por milhões. Melhorar o futebol português está nas mãos de todos os clubes e na ousadia de se aumentar o valor deste tipo de multas para se criar um código de disciplina mais severo e realista. Mas será que todos, mesmo aqueles que se sentem ofendidos com este episódio, estão interessados nisso?

