No meio da catadupa de notícias catastróficas, psicopáticas e companhia, vão surgindo espaços de esperança, de um país que merece mais do que o que lhe tem acontecido.
E das mais salientes, para portuenses que se prezem, foi a de que está em consulta pública o processo de classificação do Cortejo dos Trajos de Papel da Festa de S. Bartolomeu, como Património Cultural Imaterial.
Nada mais justo, consagrando uma tradição inventada (conforme Hobsbawm, em "Inventing Tradition"), talvez pelos anos 30, pelo Costa Padeiro e que, em 1963, o bairrista fozeiro Joaquim Picarote transformaria em enorme manifestação cultural. Quase fazendo esquecer a Festa a S. Bartolomeu que, a 24 de Agosto, através de sete banhos santos, livrava as gentes da acção do Diabo que, nesse dia, andava à solta (anda sempre, mas já ninguém dá por isso). A Festa é antiquíssima. Em 1851, o Jornal "O Braz Tisana" noticiava: "Foi ontem a romaria a S. Bartolomeu, em S. João da Foz do Douro; a concorrência de povo, tanto da cidade como das aldeias foi incalculável".
Tirando a Festa de S. João, este Cortejo dos Trajos de Papel é a maior manifestação do espírito e do entusiasmo tripeiros. Costurar 400 ou 500 vestimentas, mobilizar os figurantes através do movimento associativo da Foz, Lordelo e Aldoar e pôr em marcha um desfile para que tudo acabe num banho colectivo, é obra! Que o S. Bartolomeu ilumine quem de direito, anule os burocratas e os anónimos das cartas que se recriam a criar obstáculos e que, finalmente, o Cortejo ganhe a classificação que há muito justifica. Em nome do melhor desta cidade.
O autor escreve segundo a antiga ortografia

