Qual a relação entre Nantes e San Bernardino? Habitantes das duas cidades foram vítimas, em menos de um ano, de ataques terroristas perpetrados na quadra natalícia por simpatizantes do Daesh.
A 22 de dezembro de 2014, em Nantes, após os de Dijon, o condutor de uma furgoneta, a gritar "Allah akbar", projetou-a deliberadamente contra as pessoas que se encontravam num mercado de Natal que se realizava numa praça daquela cidade francesa, matando uma e ferindo sete.
No dia 2 deste mês, o casal Farouk/Malik, adepto do Daesh, disparou friamente sobre os colegas do primeiro, no decurso de uma celebração natalícia, assassinando 14 e ferindo 21.
A escolha do momento para desferir o golpe é duplamente simbólica. Constituiu uma desautorização do presidente Obama que, na semana anterior, após reunir o Conselho Nacional de Segurança, afirmou publicamente não existirem ameaças concretas que impedissem os norte-americanos de celebrar normalmente o Natal. E a oportunidade selecionada para desferir o golpe foi a festa de Natal no local de trabalho do Farouk, que cinicamente participou na sua fase inicial na companhia das suas futuras vítimas.
Quais os motivos que se encontram na origem do ódio que os extremistas sunitas votam ao Natal?
Os partidários do "Califado de Mossul", no seu anseio de domínio mundial, detestam todos os símbolos globais que ofusquem os seus intentos. Ora, o Natal é a única celebração religiosa de alcance mundial que ultrapassa as comunidades de crentes, sendo assinalado em muitos países, incluindo alguns muçulmanos, em que os cristãos constituem uma ínfima minoria.
A celebração do Natal perdeu, na maioria das sociedades contemporâneas, a sua vertente espiritual e transformou-se num período de intenso consumismo. Até nas grandes metrópoles asiáticas, onde o peso do Cristianismo é muito reduzido, excetuando Manila, o acontecimento é assinalado de modo feérico.
A associação de um símbolo cristão, que detém uma projeção única de âmbito planetário, com caraterísticas cosmopolitas e consumistas provoca a ira dos radicais islâmicos que, desde 2014, têm assinalado com sangue, no mundo ocidental, a aproximação do 25 de dezembro.
No âmbito da luta travada pelos partidários do Daesh para impor uma versão extremista e totalitária do Islão, o combate aos símbolos do "povo da Cruz" assume um papel primordial. E um dos símbolos por eles mais detestados é o Natal.
Os simpatizantes do Daesh atacarão, sempre que possível, em qualquer local, concentrando a estrutura central do movimento os seus esforços no planeamento de uma ação espetacular que atinja o coração do mundo católico, ou seja, provocando uma carnificina no Vaticano. Resta saber se a ocasião escolhida será o Natal!
