Num estudo realizado recentemente pelo ISCTE, que traça o perfil dos jovens desempregados, há algumas conclusões inquietantes. Mas comecemos pela boa notícia: estudar continua a valer a pena. Olhando para os desempregados jovens, quem investe na sua formação e aumento das suas qualificações continua a ter mais facilidade em entrar no mercado de trabalho. Apesar de o prémio financeiro ter caído nos últimos anos e de, entre 2006 e 2020, os jovens licenciados terem tido um corte real dos salários na ordem dos 10%, continua a ser vantajoso apostar na formação.
Contudo, dos quase 100 mil jovens desempregados que estavam nessa condição em 2022, cerca de 30% tinham o Ensino Superior. O que se tem verificado, e que merece reflexão e ação por parte dos poderes públicos, é que os jovens diplomados estão hoje a desempenhar funções muito aquém das suas qualificações, enquanto os jovens sem o 9.º ano ou sem o Ensino Secundário completo estão a ficar à margem do mercado de trabalho. Devem, por isso, estes dados conduzir a uma séria reflexão por parte de quem tem responsabilidades políticas. Por um lado, apostando fortemente nestes jovens que abandonaram o sistema de ensino, sem a escolaridade obrigatória sequer, de modo a quem possam reentrar no sistema e obter mais qualificações. Mas importa que essas qualificações estejam minimamente alinhadas com aquelas que são as necessidades do mercado de trabalho. De outra forma, estaremos a perpetuar o ciclo de exclusão e frustração que um país como o nosso não pode, de todo, permitir. A aposta no Ensino Profissional tem sido, permanentemente, adiada. Foi, de resto, um dos alertas do Observatório do Emprego Jovem. Adequar a oferta deste tipo de ensino ao mercado de trabalho vai ser vantajoso para todas as partes: para os alunos que têm, assim, mais oportunidades e melhores salários, para as empresas que vão tendo finalmente resposta para as suas necessidades de mão de obra, e para o país que precisa de aumentar as suas qualificações e de ter uma economia saudável e a funcionar convenientemente. É certo que o reforço de verbas para as escolas é um dos aspetos importantes a corrigir, mas a reordenação da rede e da oferta disponibilizada é central. A concorrência que tem existido, completamente desajustada e descoordenada, entre as ofertas das escolas secundárias e das escolas profissionais, é um dos piores exemplos dessa desarticulação que prejudica todos os envolvidos.
Na verdade, os dados e os estudos vão sendo feitos e publicados e apontam todos neste sentido. Falta agora ao Governo atuar e tomar as opções que se impõem.
