Prefiro o Bamos lá cambada", tema imortalizado por José Estebes, o personagem/comentador criado por Hermann José, ao "Vamos com tudo", o hino da seleção para o Euro 2020, escrito por David Carreira e que conta com as interpretações das brasileiras Ludmilla e Giulia Be e o angolano Preto Show. Deve ser uma questão geracional, mas acho que o "Bamos lá cambada" traduz mais fielmente os sentimentos dos portugueses que adoram futebol e a seleção de Cristiano Ronaldo, Pepe e companhia.
Dito isto, acho que Fernando Santos podia dar uma oportunidade ao hino do Estebes quando estiver a delinear a estratégia final para o jogo de hoje com a Alemanha. Há na letra umas mensagens subliminares que o podiam inspirar. "Em frente sem temores" e "futebol total", por exemplo. Já é tempo de Portugal se assumir em pleno como o campeão da Europa e provar que não precisa de jogar com dois "trincos" (Danilo Pereira e William Carvalho, como aconteceu frente à Hungria) para ganhar seja a que país for. A seleção tem talento e qualidade para dar e vender, por muito que a organização defensiva seja importante. Afinal, temos ou não o melhor jogador do Mundo e ainda mais alguns craques de renome?
Sei que a Alemanha não é a Hungria, mas, em Munique, gostava de ver uma seleção portuguesa a jogar olhos nos olhos com a alemã. Sem os calculismos que vi na estreia frente aos húngaros, em Budapeste, e que nos fizeram desesperar durante longos 84 minutos, até ao golo libertador de Raphael Guerreiro. "Não havia necessidade", diria o diácono Remédios, outra hilariante personagem do universo Hermann José. Não perder com a Alemanha pode valer praticamente o apuramento - quatro pontos devem chegar, quanto mais não seja, para ser um dos quatro melhores terceiros classificados -, mas uma vitória seria a melhor forma de reforçar o estatuto de forte candidato a renovar o título. "Bamos lá... Portugal!"
Editor-adjunto de Desporto
