Há locais que são uma referência pelo compromisso inteligente que sabem fazer entre a identidade do passado e o sentido de ambição para o futuro. A belíssima Livraria Lello em pleno coração da Invicta - que recentemente celebrou 120 anos - é um desses exemplos e a dinâmica agenda que a família Pedro Pinto (e respetivas equipas) trouxeram a este espaço é a demonstração de que a aposta na cultura é um caminho de construção do futuro.
Desde o início de 2025 - no contexto do Grupo de Partilha e Reflexão SK - Sharing Knowledge que se tem vindo a realizar um Ciclo de Conferências do Futuro, com oradores de referência sobre os mais diversos temas. Temos de acreditar que há um momento depois do futuro e que a sociedade está preparada para os seus desafios que estes novos tempos suscitam, como muito bem deu nota Miguel Poiares Maduro. Um projeto que nos deve mobilizar enquanto sociedade, nas palavras de Artur Santos Silva, e onde a aposta na educação fará, segundo Pedro Santa Clara, a diferença em termos de criação de valor.
Precisamos de saber recomeçar e reinventar a nossa aposta estratégica numa sociedade de confiança baseada na competência, como bem nos procurou dar nota Luís Portela. A inovação e tecnologia não se fazem por decreto, antes impõem uma capacidade de mobilização dos talentos que fomos capacitando ao longo do tempo. É aqui que entra a ciência, que segundo Manuel Sobrinho Simões tem que ser o catalisador de uma maior sentido de comunidade para a nossa sociedade. Uma sociedade que se quer aberta e onde a criatividade, segundo a visão de Nini Andrade Silva, tem que estar sempre presente.
Nunca como agora o papel das empresas na construção de uma sociedade de futuro foi tão importante, como Fernando Guedes procurou dar nota. A gestão é neste contexto um exercício que exige propósito e foco, nas palavras de Isabel Furtado, e o nosso país tem nesta matéria muitos desafios pela frente. As empresas, em particular, têm que se tornar habitats de inovação e criatividade inteligente, capazes de liderar um processo de renovação da construção de um valor estratégico que terá que ser partilhado de forma justa pelas diferentes comunidades. O conhecimento, segundo Maria Manuel Mota, será neste contexto o grande operador de modernidade, devendo ser percecionado por todos - e em particular pelos mais jovens - como um elo central no contrato intergeracional que temos que saber construir.
A sociedade portuguesa encontra-se bloqueada e impõe-se um sentido de urgência na emancipação cívica do país. Por isso, em tempo de crise, o novo espaço público terá que ser capaz de responder de forma positiva aos desafios de uma sociedade civil ansiosa por respostas concretas aos desafios do futuro. Trata-se duma nova ambição, em que a aposta na participação e a valorização das competências, numa lógica colaborativa, têm que ser as chaves da diferença. Precisamos também de reforçar o nosso sentido de responsabilidade social, como muito bem nos deu nota Isabel Jonet. Parabéns à Lello e a todos os que ajudam a construir o seu exemplo!

