O F. C. Porto e a importância de ter um bom treinador
O futebol tem particularidades muito curiosas e uma delas até está relacionada com o F. C. Porto e a participação no Mundial de Clubes. A questão é simples: se os dragões tivessem protagonizado uma prova dentro dos níveis expectáveis, muito provavelmente Martín Anselmi tinha continuado à frente da equipa o que reduziria muito as probabilidades de sucesso da atual época desportiva, mesmo que André Villas-Boas tivesse construído, como construiu, um plantel com qualidade e soluções.
A boa carreira do F. C. Porto ilustra bem como os clubes precisam de ter um treinador capaz de acrescentar valor ao projeto, através de ideias, conhecimento tático, liderança, comunicação e um modelo de jogo aliciante como Francesco Farioli conjugou para devolver os dragões a um lugar de destaque no contexto nacional e internacional. Em Portugal, o sucesso de um presidente passa muito por aquilo que a equipa é capaz de construir e vencer no campo, caso contrário os saldos positivos das folhas de excel podem valer muito pouco, o que é injusto tendo em conta a recuperação financeira que André Villas-Boas está a fazer, depois de ter herdado um clube perto do precipício.
Por isso, percebe-se a intenção do presidente em renovar contrato com o treinador, mesmo que o timing tivesse sido um pouco desajustado, em vésperas de um grande duelo com o Benfica e dos riscos e das especulações que poderiam resultar se a equipa tivesse sido eliminada. André Villas-Boas está consciente da pérola que tem na mão e saberá também o quanto pode ser difícil mantê-la se o F. C. Porto ganhar troféus. É o risco de ter um treinador de qualidade.

