Agora que estamos a chegar ao final do ano, temos a oportunidade de revisitar o papel deste setor na nossa economia e de fazer uma nota de balanço do que foi este 2025. Como ficou bem patente estes dias em Macau no 50.º Congresso da APAVT, a área do turismo enfrenta grandes desafios de futuro, com a forte concorrência dos mercados internacionais a obrigar a apostar na inovação e qualidade como fatores de distinção. As agendas do digital e da sustentabilidade, que dominam as prioridades a nível europeu e nacional, terão também na área do turismo um laboratório experimental de iniciativas inovadoras e focadas em novas soluções - um verdadeiro sinal de confiança no futuro, de que a nova Estratégia Turismo 2035 é um bom exemplo.
O setor do turismo teve um crescimento exponencial nos últimos anos, representando já uma parte importante do PIB, com um contributo central em termos de emprego e de criação de capital social básico em várias regiões do país. Para além das fortes campanhas de promoção em mercados externos, o efeito da democratização do espaço aéreo - em particular com os fenómenos das low costs - e o desenvolvimento de uma imagem de marca do país - assente em tendências fortes e recurso a uma comunicação direta - colocaram os nossos principais destinos nas grandes rotas internacionais. Um pouco por todo o país a base hoteleira - quer de grandes cadeias internacionais e nacionais, quer de dimensão mais independente - cresceu de forma exponencial, passando a existir uma oferta muito completa e variada em quantidade e qualidade.
A forte concorrência internacional é um grande incentivo para uma melhoria progressiva do setor e são muitos os desafios que se colocam na preparação deste novo tempo que temos pela frente. As unidades hoteleiras - em especial as mais independentes e localizadas em zonas menos centrais - terão de se reposicionar para estar na linha da frente da capacidade competitiva de atração de clientes internacionais e nacionais. Conforme muitos operadores já têm demonstrado, importa fazer um compromisso inteligente entre a proposta de soluções de oferta inovadora e a utilização do digital como um "enabler" de eficiência operacional.
Os turistas privilegiam cada vez mais o efeito de demonstração de experiências de qualidade que permitam desfrutar de fatores de distinção como a natureza, a cultura e outros atrativos interessantes. Os hotéis têm sabido responder a esta procura cada vez mais exigente e diversificada e quer nas cidades, quer nas zonas do interior, as ofertas de qualidade têm surgido a um ritmo impressionante, potenciando uma resposta estruturada com efeitos positivos nas economias locais e na sua base económica. Importa por isso, neste momento de mudança, e em linha com um "benchmarking" estratégico internacional inteligente, proceder a um reposicionamento da cadeia de valor da oferta hoteleira, apoiada por uma cultura de inovação aberta e de inteligência coletiva reforçada e sustentada.
As mudanças estratégicas ao nível do comportamento da oferta e da procura não se fazem por decreto. Assentam antes num processo colaborativo e participado de reforço de uma cultura digital e de promoção de uma agenda de inovação e valor capazes de mobilizar redes de conhecimento e de partilha de boas práticas. O turismo será cada vez mais um "lab" inteligente da economia competitiva em que todos acreditamos, como muito bem deram nota muitos dos oradores presentes em terras do Oriente.

