A economia portuguesa moderniza-se, atrai investimento e recupera confiança internacional - algo recentemente destacado pela revista "The Economist". No entanto, por trás destes sinais positivos subsiste um problema estrutural que tende a ser ignorado: o ensino profissional continua a ser encarado como uma segunda escolha, apesar de ser essencial para sustentar o desenvolvimento económico.
Num país que precisa de técnicos qualificados em áreas cada vez mais especializadas, o ensino profissional tem perdido alunos nos últimos anos, enquanto os percursos mais académicos continuam a crescer. O resultado é um desfasamento evidente entre aquilo que o mercado de trabalho procura e o que a escola oferece. Faltam jovens com percursos valorizados, ligados à realidade das empresas e preparados para responder às necessidades da economia.
Este é também um problema social. De acordo com indicadores do think tank EDULOG, a maioria dos alunos do ensino profissional provém de famílias com menor escolaridade e menos recursos económicos. Se estes jovens não tiverem oportunidades reais de prosseguir estudos e melhorar qualificações, a escola acaba por reproduzir desigualdades em vez de as corrigir. E quando isso acontece, o país perde talento, mobilidade social e competitividade.
É neste contexto que as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) podem desempenhar um papel decisivo. A descentralização de competências permite aproximar as decisões educativas das necessidades concretas de cada região. As CCDR conhecem o território, identificam os setores em crescimento e acompanham as empresas que necessitam de trabalhadores qualificados. Estão, por isso, bem posicionadas para ajustar a oferta formativa, reforçar os estágios, criar ligações mais eficazes entre escolas e tecido económico local, bem como articular o ensino profissional com o Ensino Superior.
Mas, a descentralização só produzirá resultados se for acompanhada de visão estratégica, de financiamento estável e de cooperação efetiva entre escolas, empresas e autoridades regionais. Caso contrário, corre-se o risco de mudar estruturas sem mudar resultados.
O desafio é simples e urgente: transformar o ensino profissional numa escolha de futuro, e não numa opção de recurso. Se Portugal quer crescer de forma equilibrada e inclusiva, precisa de valorizar melhor os seus recursos - começando por confiar nas regiões. A economia está a avançar. Agora, é a escola que tem de acompanhar.

