O forte crescimento, nos últimos anos, das economias de países como a China, a Malásia, a República de Singapura, a Coreia, a Índia ou o Japão deslocaram o centro da atividade económica global para a Ásia. Não aconteceu por acaso: quase todos estes países saíram de situações de enorme penúria - no caso da China, por força das desastrosas consequências do Grande Salto em Frente de Mao Tsé-Tung, responsável pela morte de entre 15 e 40 milhões de chineses esfomeados - investindo fortemente num sistema de Ensino Superior robusto, de elevada exigência, diferenciador e capaz de impulsionar a mudança efetiva, a inovação tecnológica e o crescimento económico.
Ou seja: China, Malásia e Singapura podem não ser um exemplo de democracia e de respeito pelos direitos humanos, mas os respetivos líderes foram capazes de perceber, nas décadas de 1970/80, que o futuro dependeria em grande medida da educação e da formação superior e avançada, bem como do potencial da instrução para gerar riqueza. É por isso que, nos rankings internacionais, há cinco universidades asiáticas entre as 20 melhores do Mundo; no Leiden Ranking, que mede o impacto científico, são 16 em 20.
Em Portugal, ao contrário, aquilo a que assistimos é francamente perturbador: em vez de uma aposta coerente num Ensino Secundário capaz de formar de modo rigoroso em áreas estratégicas como a Física, a Química ou a Matemática, vemos que os indicadores internacionais colocam os alunos portugueses entre os que mais regrediram em disciplinas como a álgebra, as ciências e a leitura; em vez de um Ensino Superior de qualidade, exigente, diferenciador e capaz de alavancar o progresso estratégico e a economia, assiste-se à crescente facilitação do ingresso nas universidades e nos politécnicos, criando uma espécie de via rápida para a licenciatura instantânea (basta juntar água).
Continuamos, pois, a tropeçar e a ziguezaguear, sempre ao arrepio dos bons exemplos. De tal modo que todos os passos em frente, anunciados com a pompa habitual, se assemelham, isso, sim, a grandes saltos para o lado. Ou para trás.

