Apontar à qualidade do Braga talvez seja a melhor forma de explicar as misteriosas dificuldades sentidas pelo F. C. Porto para ter bola e fazer o que, naturalmente, lhe compete em qualquer jogo, sobretudo no Dragão. No futebol moderno, mandar no jogo até pode ser um conceito burguês e aportar pouco significado à interpretação da relevância da posse de bola. Na realidade, se a posse de bola ganhasse campeonatos, o Barcelona não perdia um. Não funciona assim. De qualquer forma, não deixa de ser estranho que na segunda parte o Braga tivesse a bola nos pés mais de 70% do tempo. Algo se inverteu e nem tudo tem a ver com a qualidade de jogo dos arsenalistas do Minho. Os três pontos amealhados pelo F. C. Porto não foram contra a corrente do jogo porque a vitória poderia ter caído para qualquer um dos lados. Foram contra a sua ideia de jogo.
A ativação máxima da equipa de Farioli está dependente da reação à perda ou, melhor ainda, da forma como consegue (ou não) roubar a bola ao adversário. A condição física e a disponibilidade são elementos essenciais para que tal aconteça e é evidente que a equipa acusa algum cansaço. A rotatividade (como se percebeu frente ao Celoricense) não é apanágio de Farioli, o que pode ser um entrave à permanente combustão. De Jong seria muito importante nesta fase, assim como uma aposta no meio-campo que trouxesse mais frescura à equipa e permitisse algum descanso a Froholdt de quando em vez. É evidente que esta é uma equipa talhada para dar a volta aos momentos mais difíceis com crença, coletivo e qualidade. Mais do que isso, já jogou com boa parte dos adversários teoricamente mais exigentes. Mas a reinvenção é também uma exigência para quem quer ter poder no jogo.
*Adepto do F. C. Porto

