O Mundo está a reorganizar-se. Portugal está preparado?
O Mundo mudou mais nos últimos anos do que em muitas décadas. As cadeias de valor encurtaram, as alianças económicas foram revistas e a geopolítica passou a influenciar, de forma direta, decisões empresariais que antes eram puramente económicas. A globalização aberta deu lugar a um sistema mais fragmentado, mais competitivo e claramente mais estratégico. Perante este cenário, a pergunta impõe-se: estará Portugal preparado para este novo contexto?
Hoje, as empresas já não escolhem apenas países. Escolhem blocos económicos, ecossistemas, plataformas de crescimento. Estados Unidos, União Europeia, Médio Oriente, África e Ásia competem ativamente por talento, investimento e inovação. Quem oferece rapidez, previsibilidade e ambição atrai projetos. E quem hesita perde oportunidades. Neste novo mapa, a neutralidade deixou de ser uma vantagem, passando a ser cada vez mais importante saber onde se quer estar e porquê.
Portugal tem ativos relevantes: estabilidade política, talento qualificado, ligações históricas a vários mercados e uma localização estratégica reconhecida. Mas estes ativos não se valorizam sozinhos. Exigem visão, exigem foco e exigem execução. Precisam de uma diplomacia económica clara, de uma administração pública orientada para resultados e de um ecossistema empresarial capaz de operar à escala global. Sem isso, continuaremos a ser vistos como um excelente país para viver, mas não necessariamente como um país onde faz sentido investir e escalar negócios.
As empresas portuguesas sentem esta mudança todos os dias e internacionalizar tornou-se mais complexo, gerir risco passou a ser central e competir exige hoje muito mais sofisticação. Neste contexto, não basta apoiar exportações ou multiplicar feiras e missões empresariais. É essencial ajudar as empresas a integrar redes globais, a compreender a lógica dos blocos económicos e a posicionar-se em cadeias de valor onde o crescimento efetivamente acontece.
O novo mundo económico não espera por consensos tardios. Os países que avançam são os que alinham políticas públicas com ambição empresarial, que facilitam decisões, reduzem fricções e tratam a economia como prioridade estratégica. Portugal precisa dessa clareza e dessa urgência.
A reorganização global não é, por si só, uma ameaça. É uma oportunidade. Mas apenas o é para quem se prepara. Num Mundo que se move depressa, ficar parado é uma escolha. E escolher não agir é aceitar a irrelevância. Hoje, a questão já não é saber se o Mundo mudou, é saber se Portugal está disposto a mudar com ele e a tempo.

