A política internacional de Donald Trump pode resumir-se, de forma simples, como "bullying" institucional. Seja contra países com os quais não tem relação, seja com aliados de longa data. E, por mais sui generis que seja esta abordagem dos EUA, em alguns casos parece estar a funcionar, mesmo que o resultado a longo prazo seja difícil de prever. Veja-se o Médio Oriente, onde um cessar-fogo está a ser implementado, depois de Benjamin Netanyahu ter sido chamado à Casa Branca e ter sido obrigado a ligar ao primeiro-ministro do Catar, a pedir desculpa pelo ataque em Doha. Com muitos soluços e até um discurso cauteloso dos diplomatas norte-americano, há uma luz ténue ao fundo do túnel.
O bullying só é eficaz quando do outro lado o adversário se agacha, como tem acontecido por muitas vezes. Quando o adversário é a China, o caso muda de figura. De forma discreta, sem fazer alarido nas redes sociais ou com grandes proclamações públicas de força, Xi Jinping faz frente às tarifas impostas a partir da Casa Branca.
Soja? Não se compra aos EUA e vai-se ao mercado argentino, deixando uma base eleitoral de Trump em sofrimento. Terras raras? Controla-se a venda aos EUA, que precisam destes minerais como de pão para a boca. Construção naval norte-americana? Dificulta-se o acesso a equipamento chinês. Ao músculo vocal, a China opõe a força económica. Trump e Xi encontram-se esta semana na Coreia do Sul e é possível que dali saiam novidades sobre a relação entre os dois países. Sabemos que Trump vai dizer que é o rei das negociações e que conseguiu um acordo económico incrível, mas provavelmente terá mesmo de baixar a cabeça e perceber que nem sempre o músculo agitado ganha, quando a verdadeira força pode ser serena.

