Compensando das notícias funestas, iam surgindo outras, remetendo para tempos melhores e concretizando aspirações há muito sentidas.
Foi o caso de, ao fim de décadas de falta de visão estratégica e indiferença, ser anunciada a (re)criação do Museu da Indústria, nas antigas instalações do CACE, em Campanhã.
Nenhuma cara chega para a vergonha que esta situação representava para a cidade social, cultural e urbanisticamente mais influenciada pela industrialização. O Porto que, nas circunstâncias do país, tentou a Revolução Industrial é das raras cidades similares que não possui o Museu de tal actividade. E, já agora, como, à moda do Burgo, quando não há faz-se o excelente, aproveito para deixar umas dicas (a quem quiser aproveitar) sobre o assunto.
Em Manchester, tive ocasião de observar o talvez melhor Museu da Indústria europeu. Sobretudo verificar o modo como se organiza o enorme edifício que o acolhe. O piso térreo mostra: Museu Nacional do Papel; Energia Animal e Hidráulica; Energia a Vapor; Máquinas - Ferramentas e Fiação de Algodão; Máquinas de Combustão Interna; Geradores Eléctricos; Máquinas de Imprensa, e Área de Exposições temporárias. No piso intermédio: Sala dos Transportes; Têxteis, e Usos da Electricidade. E no piso superior: Cientistas que trabalharam na Indústria; Química; Fotografia; Instrumentos de Óptica; Registo do Tempo. O objectivo é expor e explicar, conjuntamente, a História da Ciência e da Tecnologia, com base na indústria do Norte de Inglaterra. Aqui ficam umas tantas sugestões. Aprender com os outros também constitui um lema tripeiro.
O autor escreve segundo a antiga ortografia.

