A complexa e até há pouco imprevisível evolução do quadro geopolítico internacional acarreta fortes implicações para o Norte pela natureza exportadora e marcadamente industrial da sua economia. Se as ameaças são muitas, nomeadamente a incerteza resultante do novo posicionamento internacional dos EUA, há também um conjunto de oportunidades emergentes. De facto, a União Europeia já está e irá reforçar significativamente a sua estratégia de segurança e defesa, incluindo maior prontidão operacional, reforço industrial e proteção de cadeias críticas, com incontornável crescimento da procura por soluções europeias em várias áreas, nomeadamente materiais avançados, eletrónica, ciberdefesa, aeronáutica e espaço, domínios onde o ecossistema regional de inovação possui competências instaladas.
Num mosaico marcado por grande diversidade, a economia regional mantém resiliência, com emprego e salários a crescer e turismo em expansão. As exportações têm mostrado alguma volatilidade, com crescimento e quebras em diferentes trimestres, com muito bom desempenho de setores como máquinas e aparelhos elétricos ou metalomecânica. O Norte registou em 2024 o maior nível de emprego em 13 anos, refletindo dinamismo, em paralelo com fragilidades na indústria transformadora. Naturalmente que esta realidade beneficia da situação no plano nacional, com inflação controlada e recuperação dos serviços, embora com grande pressão sobre a indústria.
Acresce que o Norte deve ser capaz de beneficiar da reconfiguração das cadeias "Near/Friend-Shoring" em curso, onde a Península Ibérica é crescente destino de relocalização industrial devido a tensões geopolíticas e exigências ESG (governança social, ambiental e corporativa) abrindo várias oportunidades desde os têxteis técnicos e a metalomecânica avançada até aos semicondutores. O Norte tem massa crítica científica e industrial capaz de captar financiamento europeu para projetos de duplo uso (fins militares e civis), nomeadamente em sensores, sistemas autónomos e dispositivos ciberfísicos.
Em paralelo, apresenta vantagens competitivas nas cadeias logísticas de baixo carbono, seja pela produção de energia a partir de fontes sustentáveis (cerca de metade da produção nacional), por projetos como a transição de Leixões para um porto de zero emissões até 2035 ou pela estabilidade no fornecimento de outras fontes de energia a partir da rede nacional.
Neste cenário, emergem dois grandes desafios para o nosso tecido económico. A generalização da adoção de IA e automação nas PME, para acelerar eficiência e inovação; e, talvez o maior de todos, o envelhecimento acelerado da população que, se não for invertido, continuará a pressionar a capacidade produtiva e a renovação de competências.

