A transcrição de algumas das conversas mantidas pelo pedófilo Jeffrey Epstein com pessoas poderosas é arrepiante. Deixa adivinhar um mundo grotesco de abusos de mulheres e de menores. Mas no pântano de três milhões de documentos divulgados pelos EUA, cuja amplitude criminal está ainda em estudo, há uns milhares perturbadores.
Um grupo de engenheiros informáticos trabalhou com o "The Economist" para triar as mensagens. A maioria corresponde a trabalhadores do universo empresarial do financista, mas um quarto dos emails que não os envolvem é para pessoas conhecidas.
Trocou mensagens com 18 atuais bilionários, desde Elon Musk e Bill Gates (de quem recebeu poucas respostas), e com políticos como Ehud Barak, antigo primeiro-ministro de Israel, ou personalidades como o cineasta Woody Allen. No método de triagem usado pelo jornal britânico, há centenas de envios que correspondem a mensagens categorizadas como perturbadoras, em que o predador pedia fotos íntimas, e onde alguém lhe escrevia que a "sua pequena menina era muito marota".
As conversas triadas correspondem em termos globais a pessoas da área financeira (19%), cientistas e médicos (10%), da área da comunicação (8%), advogados e políticos (6%), entre outros. O pântano vai ser difícil de atravessar, ainda há muitos documentos por divulgar, e depois virá a justiça, e as atenções talvez possam centrar-se nas vítimas, em vez de o debate ser só sobre homens perigosos para a sociedade e com muito dinheiro. Prova de que esse tempo deverá chegar é a francesa Gisèle Pelicot, que demonstrou que a vergonha tem de mudar de lado.
Quando abriu as portas do julgamento por ter sido vítima de abusos durante décadas ao Mundo, abriu uma janela enorme neste debate. Pois que as vítimas de Epstein e dos hediondos que o rodeavam possam ver ser feita justiça também.

