O primeiro Polícia à frente da Administração Interna
A nomeação de Luís Neves para Ministro da Administração Interna representa um momento inédito e simbólico: pela primeira vez, um polícia assume a tutela política da Administração Interna.
A expectativa é naturalmente elevada. Ao contrário da anterior Ministra, Luís Neves conhece, por dentro, a realidade operacional das polícias. Contudo, a experiência técnica, por si só, não basta. O verdadeiro teste será político. O sucesso do novo Ministro dependerá do peso que o Primeiro-Ministro Luís Montenegro lhe atribuir no seio do Governo.
As anteriores titulares da pasta revelaram reduzida capacidade de afirmação política, o que fragilizou a tutela da Administração Interna. Sem peso político, não há reformas estruturais possíveis.
Importa ainda recordar que, há dois anos, o país assistiu às maiores mobilizações de sempre das forças de segurança, motivadas pela atribuição do suplemento de missão à Polícia Judiciária, tendo sido excluídas as restantes polícias (GNR e PSP). A injustiça criada levou milhares de profissionais às ruas. Luís Neves era então Diretor Nacional da PJ e afirmou publicamente: "Sempre disse que entendo que as pessoas devem ter melhores condições remuneratórias, porque está a começar a deixar de ser atrativo concorrer à GNR e à PSP. E é evidente que essas questões não são problemas nem para a PSP nem para a GNR; são problemas para o coletivo e para o país." Estas palavras foram registadas com agrado pelos elementos das forças de segurança e revelaram elevação e verticalidade.
Espera-se, por isso, uma sensibilidade acrescida que se traduza em ações concretas relativamente às matérias das carreiras e da condição profissional - vencimentos condignos com a exigência e o sacrifício da profissão, valorização da condição militar e justiça na reposição dos direitos retirados, designadamente nas áreas da saúde, do alojamento, dos transportes e do cálculo das pensões de reforma.
Os Sargentos da Guarda desejam ao novo Ministro da Administração Interna as maiores felicidades no exercício das suas funções. O país precisa de estabilidade, liderança e coragem política na Administração Interna. Os militares da GNR, muito em especial os sargentos, precisam, finalmente, de um Ministro que os ouça, os valorize e tenha a coragem de negociar com seriedade a melhoria das suas condições.

