Sei dos balanços, que hoje é o último dia de um ano terrível com uma ou outra coisa boa, mas deixe-me fazer uma magia. Não é bem um truque; não tenho jeito de mãos, não sou rápido e vejo mal, coisas que não se recomendam na arte de fazer parecer que está a acontecer o que não está a acontecer. Pensei que seria interessante falar-lhe de Luís de Matos, uma espécie de David Copperfield mais bem conservado, mas com a desvantagem de ainda não ter feito desaparecer um avião ou levitado com os pássaros no Grand Canyon. Em janeiro lá estarei para o ver, não sei se no Coliseu do Porto ou no seu regresso ao Tivoli em Lisboa, mas é uma outra magia que trago a esta nossa conversa diária. Luís de Matos esgota os espetáculos que produz em Portugal. Não precisa de convidados ou de campanhas publicitárias. Basta-lhe dizer que no dia X à hora Y irá estar a iludir-nos no sítio H para lhe dizermos que sim. Sabendo isso, é extraordinário ter convidado grandes mágicos internacionais para estarem consigo. Não precisava de o fazer, mas o respeito que tem pelo público levou-o a isso, a ideia de que a qualidade do que apresenta é mais relevante do que a massa que leva para casa. Luís de Matos será visto, nos próximos dias, por milhares de pessoas. Não estará sozinho e pagará do seu bolso a mágicos do Mundo por respeito à sua essência. Insisto: se não os tivesse convidado, esgotaria à mesma e depositaria na sua conta todo o cachet. Não me digam que esta não é uma boa mensagem de fim de ano.
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