Não se consegue sequer calcular o sofrimento de quem perdeu um familiar às mãos dos terroristas dos Hamas durante o massacre no Sul de Israel ou de quem ainda tem parentes nas mãos desses monstros, desconhecendo o seu paradeiro e estado de saúde. Não existirão palavras para descrever a dor, nem terapias para a minimizar, no presente e no futuro.
O ato de terrorismo mais bárbaro dos últimos anos roubou a vida de militares, mas também de habitantes de colónias agrícolas e de jovens que se divertiam num festival de música no deserto do Negev, junto à Faixa de Gaza. Mais de 200 foram alvo das rajadas dos palestinianos radicais. Outros levados à força. Outros arrastaram-se pelo chão para escapar às balas ou procuraram abrigo entre árvores e arbustos (numa altura em que em Portugal abre a época dos festivais de verão, seria bonito homenagear todos estes jovens com um minuto de silêncio em cada palco).
Israel respondeu ao ataque da forma que todos sabemos. Todos os palestinianos pagaram e continuam a pagar pelo ato dos terroristas. A vingança israelita não fez seleções. Também não é possível calcular a aflição e a angústia de quem nem sequer consegue fugir à guerra. Sem saúde, sem comida. Sem nada. Um autêntico filme de terror. Sim, é isso que se vive em Gaza.
Espanha, Irlanda e Noruega vão reconhecer o Estado palestiniano, juntando-se aos outros 143 membros da ONU que já tomaram a mesma posição. Pode-se argumentar que este não é o momento. Mas também se pode questionar qual é o momento? São décadas à espera dele. Algum dia terá de ser.
Não se trata de recompensar o movimento radical do Hamas. Trata-se de encontrar sobretudo uma solução humana que reconheça a existência de dois povos. Para chegar a uma solução de dois estados, é preciso que ambos sejam reconhecidos.

