Este Braga vive entre o oito e o oitenta, dominando adversários que lhe dão bola e tendo enormes dificuldades quando a pressão é mais agressiva. Perante um Gil Vicente intenso e com sentido de oportunidade, o Braga voltou a mostrar as duas faces da mesma moeda: a de uma equipa madura, confiante e embalada por uma série fantástica de resultados, e a de um conjunto que, incompreensivelmente, continua incapaz de segurar uma vantagem quando está por cima no marcador.
A entrada foi séria, personalizada, à imagem de quem luta pelos lugares cimeiros. Ricardo Horta inaugurou o marcador e fez ouvir o forte apoio arsenalista. O Braga levou milhares de adeptos a Barcelos - uma autêntica invasão que só está ao alcance dos grandes - e durante largos minutos pareceu ter o jogo controlado.
Mas o futebol não vive de aparências e a obstinação tática de Carlos Vicens voltou a trazer-nos problemas sérios. O Gil cresceu, acreditou e explorou as fragilidades bracarenses. O Braga perdeu critério com bola, baixou linhas e deixou de mandar no ritmo. O empate surgiu a abrir a segunda parte e trouxe nervosismo. A reviravolta, consumada por Santi García, expôs novamente a dificuldade em reagir à adversidade. Porque a obstinação tática só funciona quando funciona.
Houve ainda tempo para ameaçar, para bolas na área e para uma sensação de que tudo podia ter sido diferente. Mas a verdade é dura: depois de estar a vencer, o Braga voltou a perder. Entre o brilho de quem ambiciona o topo e a fragilidade de quem vacila nos momentos-chave, os arsenalistas continuam a viver entre o oito e o oitenta.

