Pedro Santa Clara, responsável de projetos inovadores na área da educação como a Escola 42 e a TUMO, vai estar na Livraria Lello para mais uma Conversa SK. A propósito do tema da sessão - O Futuro da Educação - algumas notas de reflexão sobre este tema tão crítico para o nosso país. O Futuro da Educação assenta em novas variáveis estratégicas de mudança, muito viradas para os novos fatores críticos de competitividade, como a Inteligência Competitiva, a Inovação Aberta e a Educação Colaborativa. São eles a base de uma Nova Aposta Coletiva voltada para uma verdadeira ambição de excelência, crítica para o futuro da sociedade portuguesa.
Neste tempo complexo e incerto que vivemos as boas práticas são fundamentais para renovarem o compromisso com o futuro. A forma solidária e aberta como instituições e cidadãos se mobilizaram para uma atitude concertada de resposta a esta crise é o melhor exemplo de como uma boa educação da nossa sociedade é fundamental para ganhar a batalha do futuro. Como muito bem refere Charles Leedbeater, nós somos o que partilhamos e esse é um sentimento individual e coletivo que temos que saber desenvolver.
A Educação é claramente a chave de mudança para um tempo novo que nos deve mobilizar a todos para um verdadeiro contrato de confiança com o futuro.
A Gestão Inteligente desempenha no momento presente um papel de alavancagem da mudança único. Portugal precisa de forma clara de conseguir entrar com sucesso no roteiro do Investimento de Inovação associado à captação de Empresas e Centros de I&D identificados com os sectores mais dinâmicos da economia - Tecnologias de Informação e Comunicação, Biotecnologia, Automóvel e Aeronática, entre outros. Trata-se duma abordagem distinta, protagonizada por "redes ativas" de actuação nos mercados globais envolvendo os principais protagonistas sectoriais (Empresas Líderes, Universidades, Centros I&D), cabendo às agências públicas um papel importante de contextualização das condições de sucesso de abordagem dos clientes.
Na Nova Sociedade Aberta de Karl Popper estudar é uma condição essencial para garantir a liberdade do exercício da cidadania. De facto, só com o domínio do conhecimento o indivíduo pode assegurar a sua intervenção cívica numa sociedade colectiva complexa e global cada vez mais exigente. A questão é que a liberdade que Karl Popper defende implica uma mudança no paradigma da Educação. De facto, num tempo de crise e de falta de soluções, a Escola tem que encontrar novas respostas. A Nova Ambição para a Escola é também a Nova Ambição que queremos para uma sociedade bloqueada e que precisa de se reencontrar com o futuro. Precisamos por isso de apostar numa Educação Colaborativa.
Na Educação Colaborativa de que o país precisa, tem que se ser capaz de dotar os nossos gestores com os instrumentos de qualificação estratégica do futuro. Aliar ao domínio por excelência da Tecnologia e das Línguas a Capacidade de com Criatividade e Qualificação conseguir continuar a manter uma "linha comportamental de justiça social e ética moral" como bem expressou recentemente Ralph Darhendorf em Oxford. Tem que se ser capaz de desde o início incutir nos jovens uma capacidade endógena de "reacção empreendedora" perante os desafios de mudança suscitados pela "sociedade em rede". Precisamos de um Portugal voltado para o futuro e apostado no papel de mudança dos nossos gestores.
O da educação é decisiva. São cada vez mais necessários atores do conhecimento capazes de induzir dinâmicas de diferenciação qualitativa um pouco por todo o país. Capazes de conciliar uma necessária boa coordenação das opções centrais com as capacidades de criatividade local. Capazes de dar sentido à "vantagem competitiva" do país, numa sociedade que se pretende em rede. É assim que se garante a liberdade que Karl Popper defende e que todos nós queremos cada vez mais para um país moderno e competitivo, capaz de ultrapassar esta crise com capacidade e liderança.

