Vão acabar, sim. Pelo menos da forma como os reconhecemos, grupos que se reuniam em torno de uma ideologia. Isso tem os anos contados. A ideologia está em agonia. Em Nova Iorque, nasceu uma esperança, um político que fala ao coração das pessoas, mas que as confronta com questões da sua vida concreta. Zohran Mamdani tem trinta e poucos anos e um sorriso aberto, mas foi escolhido à revelia da cúpula do Partido Democrata, que preferiu deixá-lo a falar sozinho, o que ele agradeceu. Não precisou do partido para vencer, pelo contrário. Este é o tempo do individualismo, do culto de personalidade, do providencialismo. As pessoas querem líderes em quem acreditem - gente que os faça sonhar ou que lhes ofereça a hipótese de se vingarem. Surgirão homens e mulheres que dirão o que a multidão deseja ouvir. Gente civilizada e gente imprestável, gente que acredita na democracia e gente que acredita em si própria. Os partidos tentarão resistir, mas serão queimados num lume brando que os fará sofrer antes de os destruir. Surgirão então outros partidos. Projetos unipessoais com bandeirinhas à volta, projetos sem ideologia e sem passado. O Mundo precisa de esperança e de força bruta, de luz e de escuridão, de paz e de guerra. Precisa e irá escolher os que melhor souberem oferecer o que exigem. Estamos num período revolucionário, de morte dos sistemas que conhecemos, mas, ao contrário do que se pensa, os líderes luminosos, como o extraordinário Mamdani, são já protagonistas de uma nova era. Já não pertencem ao velho mundo, vieram para o destruir.
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