Há poucos dias, perante alguns alunos do ensino secundário, um deles perguntou-me quais as qualidades mais importantes para ser empreendedor. Respondi que entendo como fundamentais a responsabilidade e a criatividade. Sobre a criatividade e o seu relacionamento com o empreendedorismo muito se tem dito. Claro que o empreendedor tem que ser alguém capaz de dar asas à imaginação, suficientemente atrevido para saltar fora do quadrado, apto a valorizar aquilo que os outros não perspectivam.
Mas sobre a responsabilidade fala-se pouco. Ora o empreendedor tem que assumir a condução das coisas e do seu próprio destino. Não fica à espera que os outros lhe resolvam os problemas, não fica dependente dos pais, do padrinho, dos amigos, do patrão, dos governantes ou a implorar uma intervenção mais ou menos divina.
O empreendedor procura definir tão claramente quanto possível o seu objectivo, foca-se no essencial, traça metas intermédias, procura reunir as condições necessárias para não falhar e faz o caminho com as imprescindíveis paciência e persistência, mas também com flexibilidade quanto baste. E tudo isto assumindo cada um dos seus actos, ou seja, responsavelmente. Na altura não se proporcionou expressar aos jovens que entendo que a assunção das responsabilidades contribui para a felicidade do indivíduo. Como condutor do seu destino, vibra positivamente com as dificuldades, ao procurar superá-las pelos seus próprios talento e esforço; e, depois, sente uma enorme satisfação ao atingir os objectivos, que não se pode comparar à de quem foi levado ao colo por terceiros.
Ao contrário do que muitos pensam, trabalhar esforçadamente é algo que nos faz vibrar positivamente, sobretudo quando percebemos que estamos a ser úteis à comunidade. Mesmo quando as dificuldades surgem, é possível e desejável perceber que o mundo não acaba por isso e ter o gosto (ou até o prazer) de saber manter a lucidez serena e responsável da busca construtiva da solução mais apropriada.
