Deus esqueceu-se de nós, os vitorianos. Não é possível deixar escapar a vitória nos minutos finais das partidas, como o fizemos em 5 jogos. Isto já não é um azar: isto é uma fatalidade divina.
Deus esqueceu-se de nós.
Não é possível que jogando, como o Vitória jogou, contra uma equipa com um valor bilionário, protegida pelo sistema, não tenhamos conseguido ganhar o jogo.
Para quem, como nós, apoia o clube por ele representar uma comunidade, e não porque ganha campeonatos, acontecer o que nos aconteceu não é justo.
O Vitória não joga com os pés, joga com a alma, e ao jogar com a alma jogamos todos que os apoiam nas bancadas. Quando o Vitória faz o 4-3 a energia que tinha tornado o estádio explodiu como se de uma fusão nuclear se tratasse. Atrás de mim, o professor inglês estava de lágrimas nos olhos, numa felicidade sem par, naquela felicidade que, de tanta, dá para chorar. Ao meu lado, um casal de irmãos, filhos de um amigo meu vitoriano que já não vive em Guimarães há muito, mas que deixou pelos genes a benigna doença, davam saltos dignos de ginastas olímpicos. A alma poderia afinal ganhar ao dinheiro, à influência, ao hábito. Mas não. Deus a dormir mais uma vez, ou libertando, por fastio, uma praga bíblica escondida, deixou Trincão rematar da forma como o fez, sem se apiedar da nossa merecida alegria. Nós que jogamos com meio-avançado (pois é extremo), nós que o vimos lesionar-se, nós que nos agarramos, por necessidade, a um deus de carne e osso, um menino desengonçado de nome Dieu, que ainda há um mês jogava contra o Joane...
Tenho um imenso orgulho nesta equipa e um sério problema com Deus.

