Para onde vai a Frente Atlântica?
Nestas eleições autárquicas decide-se muito mais do que a eleição em cada um dos três municípios - Porto, Gaia e Matosinhos - que constituem a Frente Atlântica. Tenho sentido, nos diferentes debates autárquicos, um esquecimento em relação a este projeto de cooperação intermunicipal, que me parece crítico para o desenvolvimento harmonioso e sustentado do núcleo interior da Área Metropolitana do Porto.
Discutir mobilidade, habitação, atratividade económica e competitividade territorial de cada um destes municípios continuará a ser dependente da proximidade e da qualidade das relações destas três lideranças municipais. Registo, com preocupação, alguns indícios de que este entendimento virtuoso que beneficia, em primeiro lugar, os habitantes destes três municípios possa estar comprometido.
Dou o exemplo de divergências públicas dos candidatos do PSD ao Porto e a Gaia. Atendendo ao histórico de relação conflituosa entre Luís Filipe Menezes e Rui Rio, de que todos estamos recordados, e que resultou em episódios tão caricatos como o dos dois fogos de artifício na noite de S. João, é um sinal de alarme para a Frente Atlântica que o mesmo Menezes tenha já enunciado dois pontos de discordância com o seu homólogo do Porto: a abertura do tabuleiro inferior da ponte Luis I, do lado de Gaia, ou a recusa de aceitar a solução para a VCI proposta do outro lado do rio.
Pelas funções que assumo, enquanto Presidente da Federação Distrital do PS do Porto, pode parecer que este meu texto tenha alguma intenção de influenciar os eleitores. Mas não se trata disso. Este é um apelo a todas as candidaturas no terreno para que assumam uma posição pública nesta campanha sobre a colaboração institucional dos três municípios no âmbito da Frente Atlântica - projeto de enorme importância e de gigantesco potencial para o desenvolvimento deste território.
Sei que, do lado dos candidatos do PS, este é um tema fundamental e que qualquer um deles valoriza e irá potenciar. Mas mesmo a estes peço maior clareza pública na afirmação desse pensamento, que em muito contribui para a qualidade dos projetos que apresentam aos cidadãos.
Nestas eleições autárquicas temos de saber valorizar o que é mais importante, a resiliência das nossas comunidades, a capacidade dos nossos municípios servirem e defenderem os interesses das populações e, não menos relevante, a vontade de colaboração e cooperação intermunicipal das futuras lideranças.
Esta não pode ser uma corrida de egos e, se alguns lamentam que o presente não lhes garanta as suas ambições do passado, como parece o caso de Menezes, reduzido a uma nova tentativa (nas palavras do próprio) de "comissão de serviço" em Gaia, depois de ver recusada a sua intenção de repetir a candidatura ao Porto, o interesse coletivo deve ser preservado e a Frente Atlântica defendida.
Por tudo isto - e para que os eleitores possam votar perfeitamente esclarecidos, reitero a necessidade de todas as candidaturas demonstrarem o seu posicionamento sobre este tema.
Porto, Gaia e Matosinhos têm uma importância maior que o somatório das três partes, são um motor fundamental da região metropolitana e do Distrito do Porto. O que desejo é ver a Frente Atlântica alargada a outros municípios e não posta em causa em lutas fratricidas de egos, como já aconteceu no passado.

