Parem de encalhar o Porto de Leixões
Por estes dias, um navio de carga dos Países Baixos ficou à deriva na Figueira da Foz, depois de encalhar à saída do porto e ter perdido o controlo do leme. À primeira vista, este acidente não tem nada a ver com o impasse que se vive no Porto de Leixões, mas se percebermos que o encalhe se deveu ao assoreamento e à falta de profundidade do porto figueirense, então o paralelo torna-se mais evidente.
Isto, porque Leixões foi objeto de um plano de modernização em 2017, onde estava previsto fundear o canal de acesso e permitir a entrada de navios de maiores dimensões. Esse investimento permitiria ao maior porto da Região Norte ganhar escala e capacidade em termos de movimento de carga.
De então para cá, a situação só piorou: as obras não estão concluídas e a criação de um novo terminal de contentores (NTC) - que era a outra peça essencial do programa de desenvolvimento do porto - está por concretizar. Com isso, Leixões está a perder competitividade e a ficar para trás em relação aos congéneres da Galiza, com uma redução média de carga movimentada na ordem dos 5%, nos últimos anos.
Esta situação, como é do conhecimento público, já podia estar resolvida há muito. O projeto inicial do NTC estava previsto para o molhe sul, dispunha de todas as autorizações necessárias para avançar com a obra e estava bastante consensualizado entre os diferentes atores da comunidade portuária. Até que ocorreu o encerramento da refinaria de Leça da Palmeira, precipitando a opção pelo molhe norte como um local alternativo à instalação de um novo terminal. À boa maneira portuguesa, deitou-se fora o trabalho feito e voltou-se aos estudos, às propostas e aos planos.
O atraso, além de evitável, poderá ter consequências mais significativas a longo prazo, uma vez que, como alertam vários especialistas, a opção dos operadores por outra infraestrutura portuária pode não ter reversão possível. Ainda assim, a criação do NTC terá de avançar, independentemente da sua localização. E o tempo não anda para trás.
Exige-se, assim, bom senso e equilíbrio nas decisões, procurando encontrar o mais largo consenso possível nesta matéria e colocando o foco no desenvolvimento da economia regional, na indústria transformadora e nos setores exportadores. Persistir em debates que só encalham o futuro do Porto de Leixões é que não constitui solução nenhuma.

