Daniel Kahneman é um psicólogo que ficou famoso quando publicou o livro “Pensar, depressa e devagar” em 2011. Personalizando os dois ritmos em personagens importantes no panorama internacional, Donald Trump encarna na perfeição o sistema rápido, intuitivo e até emocional. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, simboliza o sistema lento, analítico, burocrático, apesar de ser esforçado.
Trump mudou as regras do jogo e apanhou a velha Europa sem eira nem beira. Ao nível da Defesa, por exemplo, quaisquer medidas que fossem tomadas nunca teriam efeitos imediatos. E essa pressa era vital para que Zelensky ficasse tranquilo quando os EUA lhe tiraram o tapete no que diz respeito a financiamento e envio de armamento. Como o presidente ucraniano tem a noção de que as informações dos serviços secretos e toda a tecnologia norte-americana são fundamentais para manter a Rússia longe de Kiev, optou por baixar a cabeça e entrar imediatamente em negociações com a Casa Branca sobre a cedência da exploração das suas terras raras.
A capa do francês “Le Point” mostra Trump com o título “O homem de Moscovo”, sugerindo que os presidentes norte-americano e russo fizeram uma “aliança de predadores”. Se Washington ganha minerais, Moscovo conquista territórios. O filósofo Bernard Henri-Lévy diz que Trump abandonou a Ucrânia, deixando o país invadido sem condições para prolongar a resistência, a menos que a Europa “seja capaz de construir uma força de dissuasão credível”. Há que pensar e agir depressa, em nome da paz no Velho Continente. A Ucrânia é uma “joia” para Trump, mas está longe dos EUA.

