
Por vezes, lembramo-nos do "interior" - e bem -, mesmo entre confusões com os territórios de baixa densidade, onde os serviços ficam longe de muitos (saúde, educação, transporte ou banco). Talvez ainda nos lembremos menos, nós como o Governo central e até os municípios, do imenso espaço no litoral que fica entre cidades.
Veja-se o caso dos concelhos de Braga, Guimarães e Famalicão, onde habita quase meio milhão de pessoas, e o foco que têm as cidades centrais, que reúnem menos de 30% dos residentes, em contraste com o espaço onde reside a larga maioria. Aqui ou noutros espaços do periurbano, ou do "entre cidades", há muito que falta, por entre uma mistura, sem ordem aparente, de prédios e casas, ruas e autoestradas, fábricas, campos, eucaliptos e matos, que nos mostra como, depois de tantos planos e regulamentos, o ordenamento do território falha no bem-estar das pessoas e à qualidade da paisagem. É aqui, em pequenas concentrações urbanas e em fragmentos de mistura rural e urbana, que faz mais falta o urbanismo, designadamente, na aplicação dos princípios da "cidade dos 15 minutos" - ou 30! -, com melhoria da oferta de transporte público, aumento do conforto para quem anda a pé, qualificação do espaço público e reforço de equipamentos de qualidade e de serviços de proximidade. No InPUT (projeto coordenado pela Universidade Técnica de Delft, em que participo) preocupamo-nos com isso. Haverá notícias em breve!
Bom 2026. Na cidade, no periurbano e no rural. Com muita saúde.
