Desde que vi o Real Madrid a contratar o Secretário acredito em quase tudo. Mesmo assim, custou-me a engolir a descida "a pique" dos preços dos combustíveis anunciada há uns dias.
Bebi chá, mas nem isso ajudou na deglutição. Continuava enfartado com as 40 vezes que os preços subiram só num ano. Tomei um tretonal, recomendado pelos melhores médicos para facilitar a digestão de tretas, mas ainda sentia a moedeira do meu ceticismo de pobre perante a desmesurada esmola. Quando fui meter a vintena de euros de "gasoil" confirmei que o conceito de pique é muito variável. Sem lupa, foi impossível ver a megadescida. Mas lá dei de beber ao carro, que já andava desidratado há uns dias. Menos de uma semana depois, o inevitável: é noticiado que os preços voltam a subir. Desta vez não há piques para ninguém. Só picos. E dos que aleijam a carteira.
Jornalista
