A campanha presidencial, que se aproxima do fim, ficará marcada pela sucessão de episódios que contribuíram para um clima de suspeição generalizada.
Acusações relativas à vida profissional de candidatos, investigações antigas reativadas em pleno período eleitoral e denúncias muito graves surgidas na reta final da campanha criaram um ambiente tóxico que pouco ou nada acrescenta à escolha democrática dos portugueses.
Os factos são conhecidos: suspeitas relacionadas com o passado profissional de Marques Mendes, investigações a ajustes diretos ocorridos anos antes no contexto da Marinha envolvendo Gouveia e Melo, e acusações gravíssimas de assédio dirigidas a Cotrim de Figueiredo.
Independentemente de ser verdade ou mentira, trazer estes temas para o centro do debate eleitoral, sobretudo sem provas consolidadas e num momento em que já não há tempo nem espaço para esclarecimentos sérios é indigno. Não dignifica a política, não esclarece os eleitores e não fortalece a democracia. Pelo contrário, alimenta o populismo, a desconfiança e a ideia de que a política é um espaço de permanente "lama".
Este tipo de campanha afasta os cidadãos da participação cívica e desincentiva os melhores, os mais competentes, qualificados e íntegros, de se envolverem na vida pública. Quem quererá expor-se a um escrutínio mediático que confunde denúncia com prova, suspeita com condenação e justiça com oportunidade política?
A democracia exige debate, confronto de ideias e escrutínio sério. O que não deve tolerar é a normalização da "campanha suja" como estratégia. Quando a política abdica da ética, perde autoridade moral. E quando perde autoridade moral, quem perde são os portugueses.

