Pontes de(o) conhecimento fazem futuro - Raios de sol assimétricos
Em dias de expectativa dos candidatos ao Ensino Superior (ES) - cerca de 59 mil - e das respetivas famílias, enalteço a sua ambição na procura, e bem, de um futuro frutuoso. Três pilares merecem realce: 1) um diplomado do ES detém competências únicas que lhe permitem respostas contínuas; 2) um trabalhador com diploma do ES recebe, em média, mais 50% do que um só com o Ensino Secundário; 3) o ES é o melhor e mais equitativo elevador social. O ES aguarda por cada novo estudante. Só com um olhar em cada um, concretizamos os sonhos coletivos.
Estes pilares constroem-se, contudo, no e para o território. Mas há ainda um grande percurso! As políticas públicas têm de ser articuladas e decisivas no conhecimento. Os nossos agentes conhecem o território, urgem recursos e estratégias diferenciadoras. O estudo que o JN divulgou no passado domingo é paradigmático desta necessidade de intervenção. A disparidade salarial entre o interior norte e o litoral chega aos 490 euros - a região que precisa mais de atenção, apesar de todo o esforço local, especialmente a sua comunidade intermunicipal, é a do Tâmega e Sousa (886 euros de remuneração base média face a 1165 euros - AM Porto/1376 euros - AM Lisboa). Se aliarmos a fuga de talento jovem da região Norte (21 547 em 2022), evidenciada pela Comissão Europeia no seu 9.º relatório sobre economia, coesão social e territorial, o alerta é máximo e impele todos a fazer mais e melhor.
A minha visão concretiza-se em três linhas: 1) mais e melhores recursos: articular devidamente o novo quadro comunitário PT2030, invertendo esta realidade. Saliento o esforço da CCDR-N, mas que carece de maior acompanhamento nacional; 2) mais investimento em I&D: aumentar o investimento em percentagem do PIB em todos os territórios do Norte acima de 1% (região Norte - 1,97; CIM Tâmega e Sousa - 0,26); 3) estabilidade e coerência: traçar um plano para cada território que seja concretizado sem estar à mercê de ciclos externos, uma espécie de planos integrados de desenvolvimento.
Entre sol e praia, importa não esquecer que o sol nasce para todos, mas o impacto dos seus raios é muito assimétrico em alguns territórios e nos nossos jovens. Mesmo veraneando, o nosso olhar deve ser sobre o todo.

