Pontes de(o) conhecimento fazem futuro - regresso com lotaria ou pactos de regime?
O país regressa, lentamente, a uma suposta “normalidade” após uma merecida e energética pausa. Como expectável, aumentou a comunidade de jovens no Ensino Superior, quase 50 mil novos estudantes (49 963). Portugal seguramente acredita no talento, na inquietação e na ambição que cada estudante que chega ao Ensino Superior traz consigo. Estes jovens e suas famílias merecem linhas seguras.
Por estes dias, lemos e ouvimos promessas, alegações e contra-alegações, mais ou menos ideológicas e futuríveis, algumas com impacto já neste ano, outras, e com mais soundbite, em 2025. Num documento com cerca de duas centenas de páginas (Orçamento de Estado), aposta-se no que queremos ser e joga-se muito do que seremos. Portugal deve escolher se pretende um regresso com um jogo de lotaria - leia-se ajustes políticos calculistas e cirúrgicos - ou se emerge com pactos de regime em setores vitais, assentes em linhas salvaguardadas, sejam elas de que cor forem.
Portugal não resistirá com capacidade e sustentabilidade, económica e social, se não resolver problemas estruturais na saúde e na educação ou não for capaz de definir o modelo de crescimento e industrialização da economia de que precisa. Foi possível alcançar no passado níveis distintivos, sem prejuízo do caminho a fazer: 1) crescimento económico acima da média europeia; 2) desemprego em níveis mais baixos da história recente; 3) excedente nas contas públicas; ou 4) relevante incremento do excedente externo. Urge melhorar tantos outros! Para isso, precisamos nitidamente de pactos.
Bases para pactos: 1) acelerar o aumento do investimento em I&D através de um plano de contratualização multissetorial entre o SCTN e as empresas; 2) reforçar a competitividade económica alinhada com as diretrizes do programa do próximo Executivo comunitário, liderado por Ursula von der Leyen - destacando-se o Novo Acordo Industrial Limpo e a União dos Mercados de Capitais. Só a partir da Europa (espaço colegial), proximamente com reforço da nossa representação, conseguiremos projetar um novo futuro. Mas o caminho começa em Portugal! Esperemos pelos próximos dias, às vezes a lotaria transforma-se em pactos, mesmo que os pactos obriguem a um recomeço.

