Pontes de(o) conhecimento fazem futuro - Uma agonia lenta vivida na Europa, saída, paralisia ou integração
Mario Draghi apresentou a sua visão para o “Futuro da Competitividade Europeia”. Além de um instrumento político (e bem, porque a Europa precisa de deixar de ser vista só como “o velho continente” e passar a ser sentida como uma “nova esperança”), é um diagnóstico técnico da fragilidade em que vivemos. Uma fragilidade que expõe a Europa, e em particular países como Portugal, às mais ferozes políticas de “internacionalização” de outras economias ou até ao avanço musculado e autoritário de conquistas territoriais, entrando ambos, diariamente, nas nossas casas.
Esta fragilidade (acentuada desde o início do milénio) é sobretudo evidente na análise comparativa com as outras grandes potências: perda no peso do PIB mundial; forte importação de tecnologia digital; elevados preços da energia; escassa capacidade residente de base tecnológica; debilidade nos mecanismos de defesa territorial. Este ponto de situação “severo, mas justo”, nas palavras de Lagarde, não é o essencial do relatório, mas é o importante para reconhecermos onde estamos.
Não parte do zero (tantas vezes há essa estranha tentação), apresenta, porém, 170 medidas de aplicação urgente em grandes domínios: colmatar o défice de inovação em relação aos EUA e à China, especialmente nas tecnologias avançadas; estabelecer um plano para a descarbonização e a competitividade; e aumentar a segurança e a redução das dependências.
Três importantes ações para combater o défice de inovação: 1) duplicação do orçamento e foco na sua aplicação para o futuro programa-quadro de investigação e inovação; 2) colaboração europeia na criação de infraestruturas de investigação de larga escala; 3) decisões de financiamento da investigação e inovação feitas mais por especialistas e menos por burocratas. Algo a ser promovido também mais em Portugal.
Medidas urgentes, numa situação geopolítica delicada, precisam de investimento adicional anual de 800 mil milhões de euros (4,7% do PIB europeu). O verdadeiro risco não é só a paz, mas a perda da nossa liberdade se escolhermos a saída ou a paralisia da Europa. Como tão bem afirmou Draghi, a agonia que a Europa vive obriga a políticos fortes capazes de concretizar a integração como única esperança.

