Portugal, a Europa e o Mundo numa nova ordem
"2026, um ano muito importante para Portugal, para a União Europeia e para o Mundo". Foi com esta frase que terminei o meu último artigo publicado no JN de 2.12.2025, pegando hoje nesse ponto de partida para uma reflexão diferente do normal.
O presidente dos EUA está a criar uma nova ordem mundial, querendo manter relações especiais com a Europa e a União Europeia, mas exigindo-lhe que seja mais capaz, que invista mais na sua própria defesa, diminuindo a dependência dos EUA.
Na sua lógica de voltar a ter a "América grande", tem de colocar em ordem as más contas públicas americanas, resolver o problema do défice das transações correntes e crescer mais em termos económicos. Tem de combater a imigração ilegal, o tráfico e o consumo de droga, entre outros problemas de natureza social que os EUA vivem. Tem de cuidar da relação económica, política e militar com a Rússia e a China.
A União Europeia tem de se fortalecer na sua coesão política, tem de investir na sua própria defesa, tem de apostar na competitividade da sua economia, tem de conquistar novos mercados e novos parceiros comerciais, destacando eu, como nota positiva recente, a assinatura do acordo com o Mercosul, negociado durante 25 anos (tempo demais).
Pelo Mundo andam a Rússia e a China também a tratar de uma nova ordem mundial. A Rússia a investir em conquistar espaço na Europa, com a guerra na Ucrânia e uma ameaça latente a outros países da Europa, alguns membros da NATO. A China a crescer economicamente como nenhum outro país, a exportar cada vez mais para a Europa, a comprar muitas empresas europeias, mantendo uma aliança mais do que velada com a Rússia. Rússia e China a conquistar economicamente a África.
Uma das frentes mais expressivas dessa nova ordem acontece no Médio Oriente, com a implementação do plano de paz liderado pelos EUA e aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU, com a abstenção da Rússia e da China, aguardando-se a sua decisão de aceitarem o convite dos EUA para integrar o Conselho de Paz para Gaza.
Portugal, país candidato a integrar o Conselho de Segurança da ONU, com experiência em processos de descolonização, em África, em processos de transição de soberania, em Macau, e em processos de instalação de independência, em Timor-Leste, está a ponderar o convite que recebeu dos EUA para integrar o tal Conselho de Paz para Gaza, podendo a sua aceitação ser de relevante importância política e económica para Portugal, como país europeu, atlântico e com conhecimento e expressão mundial, em especial em África, na Ásia e na América do Sul, e que também precisa de crescer em exportações com novos parceiros comerciais.
E para que haja paz e desenvolvimento económico estáveis no Médio Oriente, falta resolver o problema do Irão, o maior país xiita do Mundo, com a sua relação especial com o Hamas e o Hezbollah, com a Rússia e a China, e conseguir que seja parte ativa dessa paz necessária e já conseguida há muitos anos com os países sunitas, liderados pelo maior de todos eles, a Arábia Saudita.
Apostando no lado solar do Mundo, o que tem luzes de esperança, paz, desenvolvimento e democracia, e não nos deixando condicionar pela dureza do lado lunar do Mundo, o das trevas, da guerra, da miséria e da ditadura, podemos conseguir que o delicado momento da nova ordem mundial seja, afinal, um momento de bons resultados para o Mundo.

