A invasão da Ucrânia dá-nos uma rara oportunidade para repensarmos que Portugal somos nós, qual o nosso entendimento da cidadania, e qual o valor que damos ao privilégio de vivermos em liberdade e em democracia.
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O comportamento do presidente da Ucrânia, das suas Forças Armadas e do seu povo suscita respeito, pelo que revela da sua vontade de viverem no seu país soberano e independente, democrático, respeitador dos direitos humanos e da liberdade. É com admiração que constatamos a disponibilidade para lutarem pelos seus direitos contra uma das mais poderosas forças armadas do Mundo, pondo em perigo a própria vida.
Nós, Portugal, somos um povo privilegiado dado não termos vivido os horrores da guerra dentro das nossas fronteiras europeias desde o século XIX. A nossa memória sensorial individual não regista a destruição massiva de pessoas e infraestruturas, o caos da desarticulação da gestão pública, a insegurança permanente, a fome e a falta de cuidados de saúde, a incompreensão perante a realidade brutal que a vida nos força a viver nessas situações.
Mas que estas situações surgem no Mundo, em qualquer momento e em qualquer lugar, é um facto indesmentível! O que temos nós a aprender com estes acontecimentos recentes que nos prepare melhor para o futuro?
Desde logo, é evidente que se queremos ser uma nação soberana, livre e democrática, temos de estar preparados para lutar e morrer por isso, como povo e como cidadãos. Este estado civilizacional avançado em que temos vivido não é um direito garantido por terceiros, seja Deus, a Natureza, o Universo e muito menos a Lei. Pelo contrário, ele representa uma conquista temporária, numa guerra que continua a travar-se entre forças do Bem e do Mal, ao longo dos tempos.
Temos de repensar e posicionar o papel da educação cívica dos portugueses, bem como repor, neste contexto, o serviço militar obrigatório.
Lutarmos pela nossa nação, pela nossa terra, as nossas instituições e as nossas pessoas, é um direito e uma obrigação inclusivos, abrangendo ricos e pobres, mais ou menos educados e qualificados, de todas as cores e sotaques. Abrangendo todos os que são e se orgulham de ser portugueses.
*Professor catedrático distinto jubilado do IST e fundador e investigador emérito do INESC
