Portugal não pode perder a liderança da energia eólica offshore
Portugal encontra-se hoje numa posição privilegiada para poder disputar a liderança europeia na produção de energia eólica offshore. A aposta estratégica nesta fonte de energia renovável é crucial, não apenas para a transição energética do país, mas também como um poderoso motor de desenvolvimento de tecnologias oceânicas, atração de investimento estrangeiro, desenvolvimento portuário e crescimento económico.
A profundidade das águas portuguesas torna a tecnologia eólica flutuante particularmente relevante, uma área onde Portugal já demonstrou liderança e inovação com o projeto "Windfloat Atlantic" ao largo de Viana do Castelo, o primeiro parque eólico flutuante eólico do mundo.
Poderemos elencar algumas das principais vantagens de Portugal na opção das energias renováveis offshore como o recurso abundante. O potencial eólico no mar é superior e mais constante do que em terra, com menor impacto visual e ambiental.
A inovação tecnológica é outro domínio em que Portugal está na vanguarda da tecnologia eólica flutuante, que permite a instalação em águas mais profundas, abrindo assim novas áreas para exploração a nível global.
O potencial do setor eólico offshore português tem gerado um interesse significativo de muitos investidores internacionais. O Governo português anunciou, no ano passado, que planeia disponibilizar, numa fase inicial, uma capacidade de 2 GW até 2030, em áreas como Viana do Castelo, Leixões e Figueira da Foz, através de procedimentos concorrenciais, com o objetivo de atingir 10 GW até 2050.
Este plano de leilões se for ambicioso, sem descontinuidades processuais pode traduzir-se em oportunidades de investimento direto estrangeiro (IDE) para Portugal, de vários milhares de milhões de euros, na criação de uma fileira industrial de metalomecânica, na modernização e ampliação dos portos nacionais e num hub associado à construção, manutenção e monitorização de infraestruturas offshore.
A criação de uma fileira industrial para o setor energético offshore requer uma estratégia clara para fixar uma fileira industrial nacional, desde a produção de componentes, construção de plataformas eólicas flutuantes, até serviços de manutenção e operação, gerando milhares de empregos qualificados e aumentando o PIB nacional.
Portugal pode posicionar-se como um centro de competências e de excelência único na investigação e desenvolvimento em tecnologias de energias oceânicas, potenciando já alguns desenvolvimentos e tecnologias existentes. Temos a oportunidade de consolidar uma liderança e visão de futuro na transição energética.
A concretização destas metas requer que não se adie mais o leilão dos polígonos disponíveis para a produção de energia renovável offshore, pois outros países europeus estão a fazê-lo, correndo o risco de perder oportunidades, financiamento e disponibilidade de equipamentos.
Outra área de atenção e de preocupação é o atraso nas decisões políticas no reforço da rede de transporte de energia bem como a agilização dos processos de licenciamento, desafios que foram identificados anteriormente através do Plano de Afetação para as Energias Renováveis offshore (PAER).
Podemos afirmar que a aposta na energia eólica offshore não é apenas uma escolha ambientalmente responsável, mas uma decisão estratégica de política energética, industrial e económica que pode garantir a Portugal um papel de liderança na economia azul e no reforço da autonomia energética europeia.

