Habitualmente desvalorizamos as petições públicas. Talvez por serem abundantes, algumas excêntricas, outras irrelevantes. Todas procuram, pelo menos, colocar um determinado assunto na agenda política, mesmo que o debate se dilua na velocidade frenética da atualidade. Porém, a petição que pede a revisão das condições de voto dos portugueses residentes no estrangeiro merece atenção redobrada. E assinatura, já agora.
Explicam os promotores que a iniciativa surge num contexto de abstenção superior a 90% nos círculos da emigração nas presidenciais. É sabido, discutido e analisado que as condições de acesso ao voto para uma larga maioria dos portugueses que vive no estrangeiro são difíceis, muitas vezes impossíveis.
Mas vamos a um caso prático. Laura Teixeira trabalha em Quioto, Japão. Para votar, teria de percorrer 449 quilómetros até Tóquio e outros tantos para regressar a casa. De comboio, gastaria 154 euros e perdia, no mínimo, cinco horas em viagens. A deslocação num autocarro durante o período noturno seria mais barata. Mesmo assim, Laura desembolsaria 60 euros numa viagem de ida e volta de 14 horas. Para poupar a estadia em hotel e evitar mais despesas, a opção implicaria duas noites a dormir num autocarro.
E já que os nossos políticos andam tão instagramáveis, um conselho simples: não se preocupem tanto em ser virais e sigam os nossos compatriotas que vivem fora do país. Vão descobrir que há uma democracia à espera de condições para ser exercida que não cabe numa story, nem num post, nem num reel.
A petição em causa não é excêntrica nem irrelevante. É básica. É justa. E é urgente. Há portugueses a mais longe... da democracia.

