Cá em baixo, na sombra da Lusitânia que não é banhada pela luz de Lisboa (esse mistério da incandescência atmosférica), vamos resistindo, mas tememos que o céu nos caia em cima das cabeças. E vamos fazendo oferendas mentais a Toutatis ou a outro dos deuses das diversas mitologias, na esperança que Atlas continue a segurar firme a abóbada celeste.
Reconheço que temos alguma sorte: em Portugal as bazucas significam explosões de dinheiro, tanto dinheiro que ninguém sabe bem o que fazer com ele. E há outra prebenda no destino luso. Não falta por aí talento para produzir documentos e apresentações coloridas. Ora isso é uma vantagem competitiva: desperdiçamos como sempre, mas escrevemos como nunca.
O PRR tem muitas "agendas", "resiliências" e "transições". Talvez lhe falte explicar melhor como é que vai ajudar a classe média a pagar menos impostos, o empresário médio a investir e a pagar salários (e dignos), ou o jovem licenciado a ter um emprego seguro e bem pago. Os portugueses que não circulam pelos corredores do poder no Terreiro do Paço precisam de menos "Point" e mais "Power", porque para eles a bazuca corre o risco de ser, uma vez mais, "Power Pointless".
Jornalista
