"É um excelente presente de Natal que a cidade está a receber!", regozijou-se o presidente da Câmara do Porto ao confirmar o reforço da sua Polícia Municipal com mais 80 profissionais provenientes da PSP.
Pode até ser assim, na perspetiva pessoal e genuína do autarca, deixando, no entanto, algumas dúvidas se terá o mesmo respaldo de benefício nos seus munícipes, nas autarquias limítrofes e numa perspetiva nacional, a única que deve ser considerada quando afetamos recursos das Forças de Segurança do país.
Apesar de não ter sido explicada, nem tampouco questionada, a proveniência desta quase centena de polícias, a verdade é que, ainda que palaciana, terá sempre origem num quadro quantitativamente ultradeficitário da PSP. Representa ceder um conjunto significativo de profissionais, de uma estrutura que se agoniza com a sua escassez, como se esse défice não existisse ou fosse possível ignorar.
Por outro lado, esta aparente contradição (e esta transferência de recursos acentua essa dúvida) impõe que se questione por que razão se continua a "castigar" os profissionais da PSP, e exclusivamente estes, impedindo a sua desvinculação em razão da idade, violando as suas legítimas expetativas.
Por serem antagónicas, não podem as duas simultaneamente ser verdadeiras. Ou há falta de recursos ou não há!
Se juntarmos isto tudo, sem retirar o mérito da competência e pertinência desta Polícia Municipal, e mesmo discordando da sua limitação legal à condição de Polícia administrativa, a verdade é que, por a mesma não ter competência de órgão de Polícia Criminal, estaremos a diminuir a capacidade de resposta de segurança do país, incluindo a dos próprios portuenses.
É excessiva incoerência!

